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“Informações preocupantes” sobre a ressurreição do Sinédrio

Introdução

A única expressão que resumiria meus sentimentos — e de outros aliados leoninos — após a última pseudovisita canônica seria: Indignação eliática. Já a síntese das características dos Arautos que se fizeram de visitadores das Paulinas bem poderia ser: Cegueira e mudez.

De fato, parece que esses nossos irmãos não percebem — ou fingem — o avanço do lobo com pele de ovelha. Tampouco dizem uma só palavra aos demais sobre o que está acontecendo… Sem dúvida, realizam em si mesmos as palavras do Salmista: “Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem” (Sl 115, 5).

Mas como é possível tal omissão?

Procurei aplacar o fogo do zelo pela casa do Senhor (cf. Sl 69, 10) recorrendo ao Santo do Dia — São Gennaro —, pois, como sabemos, suas relíquias costumam deter vulcões em erupção. Por sua intercessão, seu sangue na Catedral de Nápoles se liquefez, e também o meu, ao menos em parte.

Em seguida, mais tranquilizado, passei a rememorar a figura de alguns dos participantes Arautos daquele encontro camuflado. Enquadrei meticulosamente o temperamento e as qualidades espirituais de cada um. Com efeito, nenhum deles pode ser acusado de falta de franqueza, de abertura ou de caridade fraterna. Ou nas palavras do Mensageiro de Santo Antônio (e também de Gorbachev…): falta de “transparência”. Muito pelo contrário. Todos eles são exemplos de busca pela perfeição com entusiasmo inabalável.

Então, por que agora toda essa nebulosidade?

A única resposta plausível era que eles — fora as sumárias informações que nos deram no próprio dia — foram obrigados a manter segredo sobre os acontecimentos…

Pois bem, após aquela inicial comprovação, Cristo Crucificado em seu Corpo Místico me impedia de cruzar os braços, me impelindo, ao mesmo tempo, em buscar a verdade integral dos fatos. Contudo, como encontra-la?

Se estava tão difícil arrancar qualquer informação daqueles Arautos mudos, quem sabe se alguma das irmãs da Ordem Segunda nos forneceria alguma pista? Poderia ser até muito fácil, pois, como sabemos, “la donna è mobile qual piuma al vento”

Sem dúvida, o assunto já deveria ter se espalhado como rastilho de pólvora entre elas, alimentando a chama de suas conversas.

Uma conversa despretensiosa mas reveladora

Após uma missa, guardando a distância imposta pela disciplina, mas avizinhando-me de um grupo delas, tentei pescar, como bom brasileiro, algumas informações. Infelizmente, interceptei apenas alguns curtos comentários sobre a homilia do dia (positivos, ainda bem) e um leve debate gastronômico em preparação para uma festa próxima…

Olhei ao meu redor e divisei minha irmã mais nova e uma de minhas primas conversando animadamente. O vínculo familiar permitia-me aproximar-me discretamente, como quem iria conversar algum assunto “de casa” com elas. A seguir, levantei os ouvidos com atenção, enquanto simulava ordenar meus papéis, sempre numerosos e embaralhados, antes de me introduzir no meio das duas. Percebi que desta vez estavam tratando do tema interdito, com luxo de detalhes, próprio ao gênio feminino. Segue a transcrição do cerne da conversa que ficou na memória:

— Sabe também o que a Irmã Paloma[1] comentou?

— Humm… não sei. Só estamos muito curiosas a respeito da visita…

— Era isso mesmo que tinha para falar! Como sabem?

Sabe não? Está todo mundo comentando… ouvimos dizer que vai ser tudo muito suave, mas…

— Ah, sim. É isso. Nada a temer. Disseram lá que é só uma visita mesmo. Nada mais.

Humm… sei não… A sra. sabe de onde somos, não é?

— Claro que sei.

— Então, sou meio desconfiada… fico sempre com um pé atrás.

— Por quê?

Ah, sabe como é, não? Até agora não nos falaram o motivo da visita…

— Então, a Irmã Paloma me disse que, segundo mostraram os visitadores por escrito, chegaram “informações preocupantes” em Roma desde 2013 ou 2014. Porém, ela me garantiu que estão aqui só para fazer um… como era a palavra… “diagnóstico”. É só isso.

Ah é? Fico um pouco mais tranquila. Contudo, que informações preocupantes seriam essas?

— A Irmã Paloma ouviu dizer que os visitadores não comentam nada a respeito. Eles só têm o mandato de vir nos visitar. Só isso. Contudo, eles insistiram que vai ser tudo muito bom e que vão encontrar só elementos positivos. Só vão fazer um… “diagnóstico”, entendeu?

Fenomenal. Mas um diagnóstico de que?

— Ou seja, no fundo vão ver como tudo anda muito bem, como sempre, segundo disseram.

Ah bom! É só isso? Pergunto só para contar tudo direitinho lá em nossa casa.

— Deixe-me ver… ah! Lembrei: A Irmã Paloma recomendou também que rezássemos pelos visitadores, porque eles estão sendo perseguidos.

Ah, sério? Coitados! Devem ser pessoas de bem então, porque para serem perseguidos…

— Pois é. Contaram que eles estão sendo atacados pela internet através de um site, que nem sei o nome direito, para ser sincera. Algo como… “resíduo que vem do teto” (sic).

(Neste momento, o meu sangue voltou a entrar em erupção; mas me contive, é claro. A discrição, por enquanto, é norma inviolável entre os leões).

Pode deixar. Vamos rezar por eles!

— Enfim, temos que partir. Depois conversamos mais. Tem aquele assunto da catequese das meninas e a data para a Primeira Comunhão. Salve Maria!

É isso. Depois falamos. Que Nossa Senhora lhe pague! Salve Maria!

Introduzi-me na roda antes de elas se retirarem, dissimulando que estava à espera de que terminassem para tratar um assunto sem maior importância. Elas nem suspeitaram que por detrás havia um fino ouvido mineiro que captava tudo…

Após bater muitas portas, conseguimos finalmente algumas informações importantes, que se prestam a ulteriores indagações.

É preciso esclarecer, antes de tudo, que o conteúdo da conversa comprovava a inocência da pomba que sempre pairou no comportamento das irmãs. Entretanto, quanto lhes faltava a astúcia da serpente! (cf. Mt 10, 16). Encontramos o motivo na própria continuação do Evangelho: “Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas” (Mt 10, 17).

Sem embargo, cabe aqui uma ressalva: as irmãs não viveram os tempos duros — mas quão gloriosos! — da TFP. Após tantas campanhas difamatórias, estrondos publicitários e até mesmo atentados terroristas, o leão rompante já está bastante adestrado. Sabe discernir qualquer prenúncio de ataque injusto do adversário: “Alios ego vidi ventos, alias prospexi animo procellas[2] — “Eu já vi outros ventos, já afrontei com o mesmo ânimo outras procelas”.

Nesse panorama, qual seria o clima pressagiado por nós?

Podemos sintetizar os elementos apurados naquela conversa com as seguintes perguntas:

  1. O que seriam estas “informações preocupantes”? Por que não se pode saber do que se trata? Se havia de fato acusações desde 2013-14, por que os Arautos não foram alertados?
  2. Quais são os sintomas que os levam a querer realizar o tal “diagnóstico”?
  3. Os visitadores de fato não tem nenhuma informação sobre a visita? Então, é só para visitar mesmo?

Analisando tudo friamente, esses indícios me faziam recordar, desde o início, um julgamento muito particular: o de Nosso Senhor Jesus Cristo. Já o tribunal rememorava os mesmos requintes de crueldade e de ódio daquele que O condenou à morte…

I. A despreocupação sobre “informações preocupantes”

Em primeiro lugar, era preciso averiguar, com precisão, o que significava exatamente a palavra “preocupante”. O Dicionário Houaiss registra o verbete como: “que preocupa, que é motivo para preocupação; inquietante”. Já para “preocupação”, anota: “prevenção, opinião antecipada, ou a primeira impressão que uma coisa fez no ânimo de alguém”.

Há aqui, portanto, dois elementos: 1) o fato de ser “inquietante” ou, no correspondente italiano, pelo Dicionário Devoto Oli: “che costituisce motivo di apprensione; alarmante” (isto é, “que constitui motivo de apreensão; alarmante”); 2) A prevenção ou opinião antecipada.

Pois bem, se havia tempo que existiam informações “inquietantes” ou “alarmantes”, por que os Arautos não foram advertidos?

Afinal, não estamos na era da “cultura do encontro” e do pontificado da misericórdia? E o tão querido diálogo? É possível dialogar com o terrorismo, mas não com os católicos? Não devemos “acolher a todos”, indistintamente? Certos prelados estariam então imbuídos de tanto “clericalismo” para rechaçar a priori uma associação prevalentemente laical? E a “Igreja em Saída”? Estaria ela fechando as portas por trás de si? Haverá agora a necessidade de criar um Conselho Pontifício para o Diálogo Intra-Religioso?

Quiçá encontremos a resposta desta estranha omissão por parte das autoridades numa peculiar metamorfose do significado do vocábulo em questão, conforme os novos ventos magisteriais.

Assim sendo, será que se aplicaria aos Arautos a frase da Laudato si’ (n. 39): “É preocupante, nalgumas áreas costeiras, o desaparecimento dos ecossistemas constituídos por manguezais”. Se este é o tipo de preocupação, façamos uma campanha para resgatar a ecologia humana nas ordens religiosas…

Por outro lado, se as acusações são de fato “preocupantes”, e germinadas há tanto tempo, chegamos então a uma aporia: ou os organismos competentes agiram com negligência em não sanar o suposto erro no início — já alertava Santo Tomás: “um pequeno erro no princípio será grande no fim”[3] —; ou agiram de má-fé, esperando uma oportunidade mais bombástica para atuar, como de fato teria ocorrido através da publicação de tantas notícias caluniosas em tempos recentes. Contudo, vale frisar que qualquer ato baseado num crime se torna ele mesmo criminoso. Pois bem, se assim o foi, não estaria se renovando aqui o juízo prévio de Caifás (cf. Jo 18, 12-19), que encenou ilícita e concomitantemente os papéis de denunciador e de juiz?

Fato evidente e notório é que os meios de apostolado do movimento são essencialmente os mesmos desde a sua aprovação pontifícia, e ainda mais se nos restringirmos aos anos de 2013-14 para cá. Ademais, é manifesta a inexistência de qualquer fato inédito merecedor de recurso canônico, muito menos “imediato” e isento do tão apregoado “diálogo”. Nesse sentido, bem podemos fazer nossas as palavras do Salvador: “Falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no Templo, onde se reúnem todos os judeus; nada falei às escondidas” (Jo 18, 20). De onde vem então tanto ódio?

Ademais, do lado dos acusadores, por que tanta camuflagem a este respeito? Será que se cumpriria mais uma vez as palavras do Evangelho: “Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo congregaram-se no pátio do Sumo Sacerdote, que se chamava Caifás, e decidiram juntos que prenderiam a Jesus por um ardil e o matariam. Diziam, contudo: ‘Não durante a festa, para não haver tumulto no meio do povo’” (Mt 26, 2-4). Sim, não durante a festa, mas às escondidas! Quanta paridade com esta nova perseguição! Parece que há um medo de uma reação da opinião pública, que está ao lado dos Arautos, mesmo após os recentes acontecimentos.

Nessa conjuntura, vale também destacar o desproporcionado do ato, recordando a visita apostólica mais famosa dos tempos recentes, isto é, a dos Legionários de Cristo. Antes de sua efetivação em 2009, já havia inúmeros elementos factuais ligados à lamentável figura do fundador e à sua vida dupla (entre outros, pela tácita admissão de um relacionamento estável com uma mulher, com quem teve uma filha), o que foi depois “confirmado por testemunhos irrefutáveis” e pela própria Ordem de modo oficial. Eis o princípio básico: antes de qualquer parecer, “os juízes investigarão cuidadosamente” (Dt 19, 18). Foi assim que procedeu o Papa Emérito Bento XVI desde o início desse caso.

Em suma, se se considera o sentido de “preocupante” como registram os dicionários: não seria preocupante — apenas para ilustrar — o êxodo de tantos católicos neste país? Não seria preocupante a avassaladora diminuição de vocações para o sacerdócio e para a vida religiosa? Não seria preocupante o extermínio anual de 100 mil cristãos pelo mundo? Enfim, não seria preocupante tanta omissão dos Pastores a este respeito e acerca de tantos crimes que maculam — ó dor! —a sagrada face da Igreja?

II. O diagnóstico de uma misteriosa “doença” sem sintomas

Outra palavra que me intrigou no singelo diálogo das irmãs foi “diagnóstico”. Para evitar más interpretações, recorreremos mais uma vez ao Dicionário Houaiss. Eis o significado do verbete: “fase do ato médico em que o profissional procura a natureza e a causa da afecção”.

Pois bem, para discernir a “natureza e a causa da afecção” é mister conhecer do que se trata exatamente. É óbvio. Com efeito, para diagnosticar tal afecção é preciso individuar seus sintomas. Em contrapartida, se eles, de fato, são inexistentes, como parece ter sido declarado na reunião de terça-feira passada, então estamos diante de uma doença muito rara e misteriosa…

Basta considerar o seguinte: se eram “preocupantes” as referidas informações, no plano médico elas seriam equivalentes a uma “alarmante” lepra ou outra doença mortal. Sendo assim, os efeitos seriam evidentes a qualquer um. Contudo, não é o que se deu. Aplica-se um efeito placebo para passar uma atmosfera de tranquilidade…

Seja como for, se se trata, então, de um paciente inteiramente sadio, assintomático, por que ele necessita ser enviado a contrario sensu e às pressas para a sala de cirurgia? Será que os “médicos” pretendem aplicar uma injeção letal neste paciente ora anestesiado, ou seja, neste carisma do Espírito Santo? De resto, vale destacar mais uma analogia com o Sinédrio: “Anás, então, o enviou manietado a Caifás, o Sumo Sacerdote”… (Jo 18, 24). Por quê? “Ataram-Lhe as mãos porque faziam o bem”.[4]

Quando este procedimento coercitivo é transposto para o âmbito jurídico-social, podemos afirmar que estamos diante de uma violação de um dos princípios básicos da ordem natural. Basta recordar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos prevê a presunção da inocência antes da comprovação da culpa e o amplo direito à defesa (art. 11.1). Nem falemos da lei divina…

Independentemente disso, somente em países totalitários se franqueia a entrada numa residência sem ter motivos para isso. Como na despótica Coreia do Norte: Vai saber se lá dentro os moradores estão escondendo uma Bíblia ou um Rosário? Ou, pior ainda, ai daqueles que não tiverem uma foto do ditador! Em ambos os casos: pena capital, de modo inapelável. Poderão objetar: ah, mas o encontro foi fora, na Casa das Paulinas… Então, parece que os verdugos dos Arautos querem cumprir à risca as palavras do Evangelista: “Da casa de Caifás conduziram Jesus ao pretório” (Jo 18, 28).

Nesses termos, é impossível evitar mais uma vez o paralelo com o Evangelho: “Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para matá-lo, mas nada encontravam. […] E todos julgaram-no réu de morte” (Mt 14, 63-64). Em nosso caso, estamos diante de uma doença sem sintomas que merece uma eutanásia coercitiva.

III – O silêncio sobre tudo e a acusação sobre o nada

Data vênia, não parece nada razoável que se empreenda tanto tempo, despesas e pessoas para tratar sobre… o nada. Tudo se assemelha a uma farsa mesmo. Uma visita que não visita, sobre um assunto inexistente e sem causa aparente… Mas, atenção! A despeito disso, se comprova, porém, que há objetivos muito bem delineados por trás, como veremos mais adiante.

Por enquanto, podemos focalizar ainda outro dilema: ou não há nada de fato, e aí se comprova a impostura para condenar os Arautos custe o que custar, mesmo com ausência de causa; ou existe algo, como um falso testemunho, mas não o revelam (e a transparência?), por medo de uma refutação, um desmentido ou algo semelhante.

Nessa hipótese, é bem possível que tenham presente a combatente trajetória de Plinio Corrêa de Oliveira em defesa da Santa Igreja: as respostas dadas às acusações dirigidas a ele ou à TFP jamais obtiveram resposta de seus adversários. Jamais. Até mesmo Dom Helder, o bispo vermelho, tão corajoso em defender seus ideais, nunca ousou responder suas cartas.

Façamos justiça: o Evangelho é, de fato, grande fonte de inspiração para os perseguidores dos Arautos… Eis aqui outro trecho: “Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de matá-lo, mas nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas” (Mt 26, 59-60).

IV – Uma velada e agora desmascarada perseguição

Outro trecho importante da distendida conversa das irmãs é a menção que tudo seria muito suave… Choca-me como elas podem ser tão otimistas! A história é mestre da vida: Quantas guerras foram perdidas pelo otimismo, pelo pacifismo e pela inércia!

Nesse sentido, não nos iludamos! Sejamos, sim, realistas: O Nazismo também jurou que não iria perseguir o Cristianismo — seria tudo “muito suave”… —, no entanto, se converteu em um dos maiores massacres anticatólicos da história. E o que dizer do Comunismo que garantiu a preservação da liberdade de culto e exterminou milhões de cristãos mundo afora? Bem se aplicariam aqui as palavras do Salmo aos neoalgozes: “Sua boca é mais lisa do que o creme, mas no seu coração está a guerra” (54, 22).

Henri de La Rochejaquelein

Sendo assim: Se queres a guerra, prepara-te para a guerra! Nada temos a temer! Somos chamados a ser verdadeiros leões na fé, na confiança e na intrepidez, como o foram, por exemplo, os defensores da Santa Igreja na Vendeia ante o terror persecutório da Revolução Francesa. Para isso, façamos nossas as palavras do general Henri de La Rochejaquelein: “Se eu avançar, me sigam! Se eu recuar, me matem! Se eu morrer, me vinguem”!

Todavia, os Arautos estão serenos — embora sempre combativos e alertas —, pela convicção que “todos os que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus serão perseguidos” (II Tm 3, 12). Com efeito, parece que até os visitadores estão se sentindo perseguidos… e, dentro do imenso universo das redes, por este site tão despretensioso e modesto: um “resíduo que vem do teto” (sic!).

Se eles julgam, honestamente, que estão agindo segundo a reta consciência, deveriam estar mais tranquilos. Nosso Senhor prometeu: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 10). Não obstante, vale salientar que a condição de justiça é indispensável para o prêmio eterno. Sendo assim, creio que as irmãs estão com a razão: temos que rezar muito por eles. “Orai pelos que vos perseguem” (Mt 5, 44).

Mas antes queremos uma resposta à interpelação do Divino Mestre que ora endossamos: “Se falei mal, testemunha sobre o mal; mas, se falei bem, por que me bates?” (Jo 18, 23). Essa resposta, parece que eles não quiseram dar no dia… e tomaram o caminho das evasivas.

Conclusão

Como comprovamos, é impossível evitar o paralelo da impostura contra os Arautos com a assembleia que condenou Jesus. Sabemos de sua promessa: “Se eles me perseguiram, também vos perseguirão” (Jo 15, 20). Em ambas ocasiões encontramos tantas contradições, tantas irregularidades e também tantas perguntas sem resposta… Contudo, vale salientar uma diferença fundamental: antes se açoitava com varas nas sinagogas, agora se usa o próprio báculo do pastor para oprimir o redil… e dentro da própria Igreja!

Por outra parte, ainda paira a dúvida de quem estaria impulsionando esta impiedosa campanha persecutória. Apenas é curioso que tudo se iniciou, segundo consta, entre os anos 2013-14. Como foi referido, os Arautos não alteraram em nada seu comportamento de lá para cá. Por outro lado, terá tomado outros rumos a estrutura da Igreja em torno destes anos? Será que existe por detrás alguma “preocupação egoística” — como denuncia São Tiago — oriunda de “desordens e toda sorte de más ações” (3, 16)?

O que é certo é que há ainda bastante preocupação no ar. De nossa parte, estamos muito preocupados com tanta despreocupação acerca das desconhecidas ou inexistentes “informações preocupantes”. Estamos muito preocupados com esta misteriosa e assintomática “doença” que merece a morte. Estamos muito preocupados com o silêncio sobre tudo e as acusações que “não existem”. Estamos sobretudo preocupados com a velada — mas agora desmascarada — perseguição do novo Sinédrio à Santa Igreja, representada por tantos filhos que lhe entregaram suas vidas! Isso é o que nos preocupa!

Não há dúvidas que os Arautos são da Igreja. “Pelos frutos os conhecereis” (Mt 7, 20). Por sua vez, resta a questão: em nome de quem agem aqueles que os perseguem?


[1] Trata-se de um pseudônimo.

[2] Cícero, Marco Túlio. In L. Calpurnium Pisonem Oratio, n. IX.

[3] Cf. S. Tomás de Aquino. De ente et essentia, prol.

[4] Cf. Corrêa de Oliveira, Plinio. Ataram-Lhe as mãos porque faziam o bem. Catolicismo, n. 16, abril de 1952.

 

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