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Visita… Fora de nossa casa?!

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Imaginemos o anúncio de uma visita: “Vou lhe visitar, mas por razões que você não pode saber, será num lugar que lhe é desconhecido, e você também não vai tomar conhecimento do dia e da hora da visita”. Esse é apenas um dos desatinos característicos da visita canônica aos Arautos do Evangelho…

– Infelizmente não vou poder na terça-feira, pois terei outro compromisso…

Vi na agenda do padre que, de fato, ele tinha o que fazer naquele dia. Mas a forma como ele anotou a responsabilidade foi o que me chamou atenção. Em letras miúdas ele escreveu: “Visita nas Paulinas”. Então procurei para conversar um leão ativo que tinha mais informações:

– O superior de outra casa também vai sair no mesmo dia. Ele pediu para ser levado nesse mesmo local, e… veja só! Pediu para que não se comentasse, por razões de prudência…

Lembrei que entre os personagens que visitaram a nossa Casa-Mãe em julho havia uma senhora com ares de freira. Seria ela pertencente à Congregação Religiosa das Irmãs Paulinas?

Com as informações que possuía, comecei uma pesquisa. Não foi difícil localizar o prédio das irmãs. O que encontrei sobre elas fez-me imaginar que não seria ruim uma visita canônica também nessa instituição. Entre outras: “Congregação das Irmãs Paulinas comemora 100 anos com mega-show”. Inviável a descrição da notícia e quase inacreditável a conclusão: a nossa visita canônica seria iniciada… naquele recinto!

Por enquanto eram somente elucubrações de um leão à caça. Pensei bem se era o caso ou não de comprovar minha hipótese. Não tinha muito que perder… Máquina fotográfica na mão, disfarce e determinação. E os leões concluíram que não perderam tempo, pois encontraram fácil as presas e confirmaram suas impressões.

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O que vimos?

Pouco antes das dez da manhã, começaram a aparecer no insólito local, diversos irmãos e irmãs de ideal. Vinte no total, membros dos diferentes conselhos da nossa família religiosa: Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli, Sociedade Feminina Regina Virginum e Arautos do Evangelho. Entre eles, vários personagens alvo de nossas desconfianças há meses.

O que pensamos? Deixamo-nos assaltar por múltiplas perguntas…

Mas que visita canônica é essa? Por que uma visita que não nos visita? Qual é a razão pela qual os membros dos Arautos do Evangelho não receberam até agora nenhum comunicado oficial a respeito? O que é isso senão uma ditadura eclesiástica?

Nós, que entramos para essa instituição entusiasmados e cheios de boa vontade, desejando nela derramar todo o nosso sangue pela Igreja, e pelos ideais cristãos apresentados em seu carisma, queremos saber as razões que movem essa perseguição contra nós!

O que concluímos?

Sentimo-nos tratados como verdadeiros criminosos. Pior ainda é a suposição de que irmãos nossos apoiam o Vaticano nesse empreendimento todo ele injusto, hipócrita e agora comprovadamente clandestino.

Mas não podemos cogitar outra coisa: os visitadores estão tremendo de medo, pois bem percebem as consequências terríveis que essa perseguição acarretará. E apesar de estarmos realmente indignados com as atitudes cínicas e impostoras que vemos sendo tomadas, entre as quais o secreto dos encontros e a tirania cometida contra os membros, estamos seguros!

O que soubemos?

Chegando de volta a casa uma verdadeira surpresa: uma descrição sucinta da reunião. O relator, convencido, parecia estar do lado dos visitadores.

– Eles disseram que não há nada de mais e que não nos preocupássemos. De tal maneira que pediram para que houvesse muita transparência e que contássemos tudo para todos! É só uma visita…

E soubemos das incongruências: ainda não há acusações concretas, não há decisões palpáveis sobre os procedimentos a serem adotados, e não houve ainda nenhuma exigência.

– Disseram que não tem nada de mais…

O quadro confirma paulatinamente a nossa convicção, já há muito explicitada: trata-se efetivamente de uma perseguição ideológica. E esse ar harmônico que as coisas tomam não nos ilude sobre os próximos passos.

A saída de nossos irmãos de ideal do recinto, apesar de conformados e aparentemente ingênuos em relação a todo o plano, nos fez recordar um trecho da escritura referente aos apóstolos: “Retiraram-se pois da presença do Sinédrio, regozijando-se de terem sido julgados dignos de sofrer afronta pelo nome de Jesus” (At 5, 41)

Em relação aos visitadores, vão ter coragem de entrar na toca dos leões?

Residuum Revertetur

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