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QUEREMOS VINGANÇA!

Residuum Revertetur se pronuncia sobre uma das objeções acerca da sua atuação

– Bom dia! Tudo na paz?

– Bom dia!?

– Escuta! Com todo o respeito, e na paz de Deus: você é centrista ou leão?

– Fiquei surpreso. Estava fazendo compras e jamais poderia imaginar que seria interceptado num dos corredores do supermercado com uma indagação dessas:

– Então? Guerra ou paz?

– Desculpe. Não entendi….

– Não?! Então eu é que peço desculpas! Deixa eu me apresentar: sou o pároco da região, e aqui na minha paróquia muitas pessoas participam das campanhas dos Arautos. Tem gente que recebe o Oratório da Virgem de Fátima e é assinante da Revista. Vocês fizeram missão na minha paróquia, e foi um estouro. Aqui existe entusiasmo por vocês…

– Ah…

– E os meus paroquianos estão acompanhando a bagunça, torcendo por vocês e contra os visitadores. Se eles passassem pela região, dava em morte. Eu não me atrevo a fazer um pronunciamento sequer a respeito, apesar de ter minhas discordâncias em relação aos dois lados. Mas uma dúvida eu queria tirar com você. Na verdade, todo mundo “mais em cima” quer saber isso: por que vocês só sabem contra-atacar?

De fato, segundo o que tenho escutado, a objeção apontada pelo pároco é uma das principais que tem surgido acerca da atuação de Residuum Revertetur. Principais devido à sua proveniência: pessoas de suposta grande influência ou importância, que acompanham curiosos os artigos do Blog.

– Padre, me desculpe – respondi -, mas não estou muito envolvido nisso e não sei o que dizer ao senhor sobre isso.

– Como assim?!

De forma muita expressiva e até divertida, o sacerdote tentou insistentemente tirar informações sobre a situação interna dos Arautos do Evangelho, mas eu me desvencilhei o quanto pude. Ele, educadamente, manifestou-se insatisfeito e confuso com a minha atitude, pois queria esclarecer melhor os seus paroquianos, mas acabou me deixando “na paz”.

Fiquei pensando na perplexidade do jovial sacerdote, com receio de ter agido de forma omissa, ao negar-lhe uma explicação. Então resolvi, apesar de não estar comprometido nas contendas internas dessa instituição que tanto amo e de que faço parte, escrever um artigo para o Residuum, com a finalidade de aclarar o assunto ao simpático pároco e aos demais leitores que compartilham a mesma dúvida. Afinal – refleti comigo ao determinar-me elaborar esse simples trabalho – fui membro da TFP, sou um Arauto do Evangelho, e já há muito dorme dentro de mim um leão. Chegou a hora de tomar um partido, e acordá-lo definitivamente.

De fato, como bem observou o pároco, ecoando repercussões relevantes desse Blog, um dos aspectos salientes de Residuum Revertetur é o contra-ataque. Mas essa expressão – contra-ataque – por ora não parece ser a mais apropriada para definir inteiramente os nossos atuais objetivos. Na verdade, o que Residuum Revertetur quer fazer é…VINGANÇA…

Vingança?! Seguramente exclamam e interrogam surpresos os nossos melhores leitores. Sim! Respondemos, sem hesitação, que o nosso escopo é a vingança.

Mas é correto vingar-se? Continuarão questionando…

Para esclarecer melhor o problema que certamente paira da cabeça de muitos, poderíamos formular melhor, mais técnica, teológica e, por que não dizer, pastoralmente a pergunta, explicitando-a da seguinte forma: a vingança que promove Residuum Revertetur está dentro dos parâmetros estabelecidos pela lei de Deus? Existe legitimidade moral nessa vingança? Enunciando dessa forma, fica mais fácil aos párocos, aos piedosos fieis e outros tantos interessados, compreenderem melhor a dificuldade que se coloca acerca do proceder desses Arautos dissidentes da TFP, bem como os seus objetivos.

Um parêntese: é um problema que se põe diante das iniciativas de Residuum – o do seguimento da lei de Deus e da consequente legitimidade moral – mas que infelizmente não se levanta acerca das atitudes que denunciamos. Nem mesmo em relação à visita canônica que atualmente acomete os Arautos do Evangelho esse tema foi proposto pelos críticos de nossas atividades: diante de Deus e de sua lei, podemos afirmar que esta visita, sobretudo considerando o ímpeto que a origina, está correta?

Essa já seria uma nova questão que caberá a outros responderam para suas próprias consciências e diante do juízo divino. Neste artigo a levantamos apenas a guisa de didática, para elucidar melhor o problema. Nós nos limitaremos a redarguir, sem conjecturas supérfluas, mas baseando-nos na realidade dos fatos e na doutrina católica, os impasses sobre a nossa conduta, a fim de demonstrar a retidão de nosso proceder e dar segurança moral àqueles que, por seu senso católico, querem nos seguir.

Primeiramente, para responder a pergunta acima enunciada, precisamos levar em consideração que São Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, afirma ser a vingança uma virtude[1]. Sim, caros leitores, uma virtude! Longe de ser apenas um dano físico, moral, ou um prejuízo que se causa a alguém para reparar uma ofensa, uma lesão ou uma afronta causada por essa pessoa; ou um ato retaliativo contra quem seria o responsável por uma injúria ou uma perda, a vingança também pode ser um ato virtuoso. Claro está que nem toda vingança é virtuosa. E para que o seja, a atitude vingativa deve ser orientada pelos princípios cristãos.

A virtude da vingança é apresentada por São Tomás na Suma Teológica como umas virtudes subordinadas à Justiça. Por conseguinte, poderia se afirmar que o justo é vingativo, pois a vingança é necessária para manter a ordem, facilitar e harmonizar as relações sociais. Ademais, a vingança é considerada absolutamente indispensável para a convivência humana, junto com a verdade e a gratidão[2].

Mas o que pode garantir que a atuação de Residuum proceda da virtude da vingança e não de uma mera manifestação de um desejo de odienta revanche?

O Aquinate também explica que se deve seguir os ditames da virtude da vindicta, quando temos a obrigação de conservar ou zelar por algum bem, não deixando impunes os agravos[3].

Ora, todo católico tem o dever de zelar pela verdade, e sendo os Arautos do Evangelho uma Associação que se tem por efetivamente católica, se julgam no direito de proteger as verdades ensinadas por Nosso Senhor Jesus Cristo que eles não só acreditam, mas procuram viver. Assim, tendo sido essa verdade atacada, não caberá aos Arautos outra atitude reta, de acordo com as orientações da consciência e da moral cristã, do que essa: vingar-se!

De maneira que nós Arautos temos clara consciência de que a nossa vingança é moralmente legítima, pois consona com a mais clássica doutrina católica. E não só isso: nossa atitude é um dever imposto por Deus.

A nossa denúncia vingativa, tendo em vista endireitar a situação daquilo que outrora chamávamos Igreja, especialmente no que diz respeito à atitude tomada contra nós e contra os que ainda buscam retamente o bem, servindo a verdade, e contribuindo para salvaguardar um mínimo ainda possível de ordem social dentro dessa mesma Igreja, é ato de justiça, que encontrará em Deus a sua realização eminente[4], e no Verbo Encarnado, o modelo supremo.

E é nele, Nosso Senhor Jesus Cristo, especialmente na narração dos Evangelhos da liturgia diária da Missa, que o nosso caro pároco encontrará exemplos acessíveis para explicar aos fiéis, ou a quem quer que seja, as belezas da virtude da vingança que justificam a atitude de “contra-ataque” que toma os Arautos, baseando-se nas discussões entre Jesus e os fariseus. Sim, os que historicamente inauguraram as visitas farisaicas, análogas as que estamos recebendo, também d’Ele aproximavam-se e lhe faziam perguntas para poder acusa-lo. E o Supremo Vingador, não deixou nenhuma sem resposta…

Assina um Arauto do Evangelho, ufano membro da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade.


[1] II-II, q. 108, a.2

[2] II-II, q. 50.

[3] II-II, q. 108 rep.

[4] II-II, q. 108, a.1., s.c.

Residuum Revertetur

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  • Lev Orlov

    “ut ne quis supergrediatur neque circumveniat in negotio fratrem suum, quoniam vindex est Dominus de his omnibus, sicut et praediximus vobis et testificati sumus.” (1Ts 4, 6)

  • Oscar Breckmann

    Afinal estou respirando a plenos pulmões! Estou vivo! Como sabem manejar a espada . Já sei a vitória é certa !!!!!!

  • Luiz Morato

    A mais importante e mais forte vingança será a denúncia sobre o que fazem os que estão hoje lá em cima demolindo a Igreja.

  • Hermedes Gobbi

    Fascinante esclarecimento! Quando chegará o momento em que os Leões poderão rugir estas verdades a toda “hierarquia eclesiástica?” Se é que eles aceitam a expressão hierarquia…

  • Hugo

    Magnífico!

  • Antônio Carlos

    Colossal!!! Isso aí já mostra as claras que o clero está percebendo, e que está com medo da VINGANÇA!

  • José

    Uff… cachorro que late não morde!
    Leão que ruge não devora…

    Parem essa parlapatagem e agião de uma vez, molengas!

    • Antônio Carlos

      Molengas?! Coitado de você. Daqui a pouco dão uma resposta-artigo para você igual deram anteriormente, e você vai ter que ficar quietinho… Vai querer?!

    • Lev Orlov

      Por acaso os Leões do Residuum são seu exército pessoal, prontos a agir segundo o seus caprichos na hora em que você quer?

    • Augusto

      As suas premissas estão falhas. Sabe por quê?
      O asno que relincha dá coice. Temos que ter cuidado!

    • Oscar Breckmann

      Apresente o seu exército, comandante…

  • Pampero

    Si Bergoglio no es Papa y la jerarquia es farisaica…la venganza profética está próxima. Además, qualquier maniobra, por ejemplo de excomunión a los Heraldos, es inválida en esas circunstancias. Seria una situación análoga a la de los Apóstoles y discípulos, prohibidos de predicar el nombre de Cristo, por orden de la sinagoga.

    • Louis

      Pelo jeito é isso que eles querem, excomungar os Arautos. Querem colocar um selo falso e pútrido na ortodoxia. Para isso, é preciso que a verdade seja destruída e posto uma “maquiagem” nos verdadeiros princípios. Estão brincando com Deus… Memento Venezuela!

      • Antônio Carlos

        Quando se brinca com Deus… Acontece igual a Moisés no mar vermelho. O mar se abre, passa o povo judeu e quando os egípcios passam, são tragados pelas águas…

  • Pedro Morato

    Como é bom ler sobre as verdades esquecidas. Quanta gente pensa que a vingança é um defeito [por motivos pessoais e rancorosos, tudo bem]. Mas falar sobre a Virtude da Vingança é algo que entusiasma, ventila a alma e despolui a mente: isto porque esta virtude está em função de Deus e não de uma mágoa pessoal… E ninguém melhor que São Tomás de Aquino para sustentar essa verdade. Vingança divina também existe e é sagrada. Avante Arautos!!!

  • Andre F. Falleiro Garcia

    Li, após o almoço, o bombástico artigo “Queremos vingança!”. Em seguida, fui fazer a sesta.
    .
    Sonhei que estava num supermercado em minha cidade. Cruzei, junto aos caixas, com um Arauto de hábito. Nem percebeu a minha passagem. Alto, gordo, enorme, desconjuntado, o coitado caminhava sem sacralidade com o hábito branco. Prático e de temperamento expansivo, simpático, com ar de amigão de todo amigo, incapaz de se vingar até de um mosquito que lhe tenha picado a face.
    .
    Desci, no sonho (terá sido um pesadelo?) para a garagem do supermercado. Ali, passei por outro Arauto, de túnica marrom, com jeito de ter uns 16 anos. Disparei: “O Sr. é do Residuum Revertetur?” O novato, um tanto intimidado, respondeu: “Não sou do Residuum Revertetur, sou Arauto”. Sem mais, me afastei dele em seguida. Entrei no meu automóvel e saí da garagem.
    .
    Acordei de repente. Um caminhão tocava a buzina na casa ao lado. Comecei a ruminar o que se passou e a cotejar o sonho-pesadelo com o artigo. Afinal, qual é a realidade? A prudência do novato? Ou a ousadia do RR, dos que não querem só o contra-ataque e anseiam a realização da vingança divina?
    .
    Saí do quarto. Desci a escadaria cantarolando “Deus ultor Domine”. Lembrei-me mais uma vez da Galeria das Vinganças. E do duplo espírito de Elias, o amor e o ódio. Lembrei também de meus antigos companheiros de luta. Será que guardam consonância profunda com esse amor e ódio eliáticos? Ou tudo isso é mais uma jogada dos prudentes políticos?
    .
    Sr. Moderador, a leitura do artigo “Queremos vingança” foi deveras estimulante! Continuo em compasso de espera positiva.

    • Leonardo

      É bonito, Sr. André, que a leitura do artigo tenha despertado no senhor tão nobres sentimentos, tão belas lembranças, certamente empoeiradas no fundo de sua alma. Por enquanto, um artigo é uma realidade mais real do que um sonho, o qual o senhor não quis pintar como fato, talvez porque não é tão fácil encontrar um arauto gordo, desconjuntado e anti-sacral, ou um clérigo arauto que fica intimidado diante de uma simples pergunta num estacionamento. Permaneça na sua atitude de espera positiva… quem sabe logo mais o senhor ficará tão surpreso que olhando para trás dirá: “Eu não tinha entendido nada mesmo…!”

      • Santiago Matallana

        ¡Extraordinaria respuesta Sr. Leonardo!

        Que sablazos tan elegantes se pueden presenciar en ésta fantástica contienda de esgrima literario. La metáfora y la trama sagaz en favor de la verdad… ¡cómo le hacía falta a la Iglesia Católica!

        Residuum Revertetur por fin está cumpliendo el ansia de Nuestro Señor Jesucristo: Que los hijos de la luz sean aún más sagaces que los históricamente ‘pícaros’ hijos de las tinieblas. ¡Continúen en la lucha que la victoria final siempre va a ser de Dios y Nuestra Señora! ¡Vamos adelante que quienes estamos hambrientos y sedientos de justicia quedaremos saciados!

  • Antônio Carlos

    Essa poeira veio da separação com Profeta! Dizer princípios sem estar ligado a quem deu esses princípios não que dizer nada! Um protestante que usa a Sagrada Escritura para defender seus argumentos não quer dizer que é um verdadeiro apóstolo! Mas um deturpador da doutrina ortodoxa. Assim quem se separou do Profeta não participa do filão eliático, e suas palavras ficam sem fundamentos!

  • Pedro Morato

    Quem não leu, ou escutou nas Missas, a passagem em que Santo Elias mandou passar a fio de espada os sacerdotes de Baal? Ou então, Santo Elias fazendo descer o fogo do céu sobre os que vinham prendê-lo; ou a passagem em que Santo Eliseu amaldiçoou os meninos que riam dele? Existe, hoje, uma quase proibição de falar dessas ações. No entanto, as almas ardorosas no zelo pela glória de Deus amam essas passagens bíblicas.

    Quem exerce a vingança fora da ordem estabelecida por Deus, usurpa para si o que é de Deus. Contudo, ás vezes, a injúria contra uma pessoa [contra os Arautos, diria eu] recai sobre Deus e sobre a Igreja. A pessoa deve então vingar a injúria que lhe foi feita. Aquele que, de acordo com sua posição, exerce a vingança contra os maus, não está usurpando para si o que é de Deus. Está simplesmente usando de um poder que lhe foi conferido pelo próprio Deus. Lê-se na Carta aos Romanos: “Ele é o ministro de Deus para exercer vingança contra aquele que faz o mal”. AAhh!!! A vingança de Deus contra os maus…!

    Por que o Residuum Revertetur mostra os escândalos que perambulam pela hierarquia católica, sem cobrir a nudez de Noé, perguntaria um católico tolerante e compassivo…
    “É louvável suportar com paciência as injúrias pessoais. Mas permanecer insensível às injúrias contra Deus é o cúmulo da impiedade”, responde S. J. Crisóstomo, para o RRev.
    E o coração e alma de cada Leão Rompante canta: Deus ultor domine, Deus ultor affulge! Ó Deus das Vinganças, mostrai vosso esplendor! E chegará breve a hora deste Esplendor!!!

  • Leonardo

    Sempre é tempo, Sr. André!

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