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Pilatos ou Barrabás? Uma escolha ou uma via?

Todos os fatos contidos no Evangelho, não são senão paradigmas ou parábolas do que sucederia ao longo de toda a História da Igreja. Cada personagem que se encontra com o Divino Mestre projeta diante de si uma, como que, linhagem espiritual que perdurará até o fim dos tempos.

Neste sentido, poderíamos citar inúmeras almas “Madalenas” ou “Martas”, ao longo dos séculos, bem como diversos “Nicodemos”, “Pedros”, “Joãos” ou “Tomés”… Pois cada um, à sua maneira, representaria as mesmas características na sua época.

Isso não se aplica, porém, somente às almas que aderem a Nosso Senhor Jesus Cristo. No decorrer dos milênios outros personagens tiveram sua posteridade garantida nestas e naquelas pessoas…

Durante as perseguições, nos primeiros séculos da Igreja, quantas almas não tiveram as mesmas reações que um Herodes, um Caifás ou um Judas Iscariotes? Na pessoa de um Imperador Nero não vemos as mesmas atitudes que no rei idumeu ou no sumo sacerdote? E na de um Juliano Apóstata as mesmas que no traidor de Jesus?

Inúmeros seriam os exemplos a citar e as analogias a fazer… Pois, já afirmara Salomão: “Nada há de novo debaixo do sol” (Ec 1, 9)!

Em nosso século XXI: seria isso diferente? A resposta tende ao negativo…

Diante das perseguições que sofrem os verdadeiros discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou a própria Santa Igreja Católica, não há “terceira posição”: ou se é contra ou a favor. Mentem os que julgam que um Pilatos foi indiferente diante do Salvador ou que teve menos culpa do que aqueles que preferiram Barrabás a Jesus! São apenas vias de uma mesma escolha: a preferência do mal ao Bem.

Recordemos a sentença proferida pelo Divino Mestre: “Se fosseis quente ou frio ainda vos suportaria, mas como sois mornos começarei a vomitar-vos de minha boca” (Ap 3, 16).

Diante da nova Paixão da Santa Igreja, não sejamos do número dos indiferentes, dos “Pilatos” que preferem lavar as mãos a defender o bem e a verdade ou menos ainda do número do “Sinédrio”, preferindo Barrabás ao Salvador! Mas daqueles que permanecem ao pé da Cruz, apesar das incertezas e perseguições, certos de que em breve raiará a manhã da Ressurreição: “Et portae inferi non prevalebunt adversus eam!” (Mt 16,18)

Poderia alguém querer esquivar-se: Pilatos era o governador, mas eu sou apenas um João-Ninguém incapaz de algo significativo.

Tentativa inútil. Pois, o governador de uma provinciazinha nos subúrbios do Império Romano não era um João-Ninguém? Que recordação teria a História guardada de Pôncio Pilatos se Jesus Cristo não tivesse atravessado suas vias? Nenhuma.

E, no entanto, o nome do homem que lavou as mãos ficou estampado para sempre no Credo precisamente pelo ilusório intento de conservar sua mole e gostosa vida anónima ao abandonar a Verdade às maquinações criminosas dos que preferiram Barrabás. E sua alma, aonde foi lançada pelo Juiz em favor do qual ele negou-se a emitir uma sentença justa?

Diante da Verdade não existe quem permaneça um João-Ninguém, pois todos tomamos proporções infinitas, inclusive os anónimos. E estes, ou entram pelas vias perenes da glória, numa altiva e corajosa defesa como a da Verônica ou a do Bom-Ladrão; ou se afundam na ignomínia eterna dos que optaram por Barrabás, direta ou disfarçadamente – é apenas uma questão de vias. Pois quem escolhe a não-escolha é irmão siamês de quem grita “crucifica-O!”. É a própria Verdade que nos asseverou: “Quem não recolhe comigo, espalha” (Lc 11, 23).

O ‘Sinédrio’ daqueles que querem apagar o Bem da face da terra sempre existiu, e sua ruína jamais deixou de ser a mais completa apesar da miragem inicial de força, poder ou sucesso. Os verdadeiros filhos de Jesus Cristo também nunca deixaram de caminhar de glória em glória, de ressureição em ressureição, a cada perseguição e morte mais terrível que o anterior, pois são invencíveis como o é o próprio Deus. Quem pertence a qualquer uma dessas categorias, nos extremos do bem e do mal, já tem determinado seu resultado final, pois as perseguições dos bons são conduzidas pela Providência para peneirar quem ainda não fez a escolha: ser ‘Dimas’ ou ‘Barrabás’, ‘Verónica’ ou ‘Pilatos’? A abundância de graça nunca faltará a quem se dirigir em ardente súplica à Virgem Santíssima.

E para ti leitor, já que chegaste até aqui, uma escolha se impõe: que caminho adotar em face da Paixão da Esposa de Cristo? Tentar esquecer dessas linhas já será uma escolha, na via dos ‘Pilatos’…

Residuum Revertetur

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