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“O Papa mudou a disciplina sobre a comunhão”

Mons. Fernández: o Papa mudou a disciplina sobre a comunhão dos divorciados que voltaram a se casar.

Num artigo publicado em CEBITEPAL, Mons. Víctor Manuel Fernández assegura que o Papa mudou a disciplina vigente sobre os divorciados que voltaram a se casar.

 FratresInUnum.com: O artigo que se intitula “O capítulo VIII de Amoris Laetitia: o que fica depois da tormenta”, de Mons. Fernández, Reitor da Pontifícia Universidade Católica da Argentina.

O texto começa assim:

Na hora de interpretar o capítulo oitavo de Amoris Laetitia, particularmente no que se refere ao acesso à comunhão eucarística dos divorciados em uma nova união, convém partir da interpretação que o mesmo Francisco fez de seu próprio texto, explícita em sua resposta aos Bispos da região de Buenos Aires.

Francisco propõe um passo adiante, que implica numa mudança na disciplina vigente. Mantendo a distinção entre bem objetivo e culpa subjetiva, e o princípio de que as normas morais absolutas não admitem exceção, distingue entre a norma e sua formulação e sobretudo reclama uma atenção especial aos condicionamentos atenuantes.

Francisco admite que um discernimento pastoral no âmbito do “foro interno”, atento à consciência da pessoa, possa ter consequências práticas no modo de aplicar a disciplina. Esta novidade convida a recordar que a Igreja realmente pode evoluir, como já aconteceu na história, tanto na sua compreensão da doutrina como na aplicação de suas consequências disciplinares.

Mas, assumir isto no tema que nos ocupa, exige aceitar uma nova lógica sem esquemas rígidos. Contudo, isto não significa uma ruptura, mas uma evolução harmoniosa e uma continuidade criativa em relação aos ensinamentos dos Papas anteriores.

A realidade é que o que indica Mons. Fernández não é uma novidade nem uma continuidade criativa, mas uma proposição condenada explicitamente pelo Magistério da Igreja. Por exemplo, é contrário ao indicado na “Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a recepção da comunhão eucarística por parte dos fiéis divorciados que voltaram a se casar”, aprovada pelo Papa São João Paulo II e enviada aos Bispos pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (logo depois, Papa Bento XVI), no dia 14 de setembro de 1994:

O fiel que convive habitualmente more uxorio com uma pessoa que não é a legítima esposa ou o legítimo marido, não pode receber a comunhão eucarística. Caso aquele o considerasse possível, os pastores e os confessores – dada a gravidade da matéria e as exigências do bem espiritual da pessoa(10) e do bem comum da Igreja – têm o grave dever de adverti-lo que tal juízo de consciência está em evidente contraste com a doutrina da Igreja(11). Devem também recordar esta doutrina no ensinamento a todos os fiéis que lhes estão confiados.

[…]

A convicção errada de poder um divorciado novamente casado receber a comunhão eucarística pressupõe normalmente que se atribui à consciência pessoal o poder de decidir, em última instância, com base na própria convicção(15), sobre a existência ou não do matrimónio anterior e do valor da nova união. Mas tal atribuição é inadmissível(16). Efectivamente o matrimónio, enquanto imagen da união esponsal entro Cristo e a sua Igreja, e núcleo de base e factor importante na vida da sociedade civil, constitui essencialmente uma realidade pública.

Também é contrário ao ensinamento do Papa Bento XVI na Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis:

O Sínodo dos Bispos confirmou a práxis da Igreja, fundamentada na Sagrada Escritura (cf. Mc 10, 2-12), de não admitir aos sacramentos os divorciados casados de novo, porque seu estado e sua condição de vida contradizem objetivamente essa união de amor entre Cristo e a Igreja que se significa e se atualiza na Eucaristia.

O arcebispo Fernández pretende que a novidade introduzida pelo Papa Francisco seja irreversível:

Depois de vários meses de intensa atividade dos setores que se opõem às novidades do capítulo oitavo de Amoris Laetitia – minoritários mas hiperativos – ou de fortes tentativas de dissimulá-las, a guerra parece ter chegado a um ponto morto. Agora convêm reconhecer o que é que concretamente nos deixa Francisco como novidade irreversível.

E explica por que afirma tal coisa:

Se o que interessa é conhecer como o próprio Papa interpreta o que ele escreveu, a resposta está muito clara em seu comentário às orientações dos Bispos da Região Buenos Aires. Depois de falar da possibilidade de que os divorciados numa nova união vivam em continência, eles dizem que “em outras circunstâncias mais complexas, e quando não se pode obter uma declaração de nulidade, a opção mencionada pode não ser de fato possível”. E a continuação, acrescentam que: “(…) não obstante, igualmente é possível um caminho de discernimento. Se se chega a reconhecer que, num caso concreto, há limitações que atenuam a responsabilidade e a culpabilidade (cf. 301-302), particularmente quando uma pessoa considere que cairia numa nova falta prejudicando aos filhos da nova união, Amoris Laetitia abre a possibilidade do acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia (cf. notas 336 e 351).

De fato, já que esta é a postura do Papa – acrescenta – não cabe esperar que responda a outras perguntas sobre sua própria interpretação como seria o caso dos Dubia apresentados por quatro cardeais:

Francisco lhe enviou imediatamente uma carta formal dizendo que “o escrito é muito bom e explicita definitivamente o sentido do capítulo VIII”. Mas é importante advertir que acrescenta: “Não há outras interpretações” (carta de 05/09/2016). Portanto, é desnecessário esperar outra resposta do Papa.

O restante do artigo de Mons. Fernández é uma tentativa de justificar a ruptura de Amoris Laetitia com o Magistério precedente. E vai mais além ao contrariar o ensinamento do Catecismo, que indica no seu parágrafo 2353 que “A fornicação é a união carnal entre um homem e uma mulher fora do matrimônio… É gravemente contrária… Além disso, é um escândalo grave.” No entanto, o Arcebispo considera que nem sempre é pecado:

 “(…) é lícito perguntar-se se os atos de uma convivência more uxóriodevem cair sempre, em seu sentido íntegro, dentro do preceito negativo que proíbe ‘fornicar’. Digo ‘em seu sentido íntegro’ porque não é possível sustentar que esses atos sejam, em todos os casos, gravemente desonestos em sentido subjetivo.

E também aponta a uma hipotética impossibilidade de cumprir os mandamentos em determinadas circunstâncias.

Francisco considera que, ainda conhecendo a norma, uma pessoa ‘pode estar em condições concretas que não lhe permitem atuar de maneira diferente e tomar outras decisões sem uma nova culpa. Como bem expressaram os Padres Sinodais, pode haver fatores que limitam a capacidade de decisão’. Fala de sujeitos que ‘não estão em condições seja de compreender, de valorizar ou de praticar plenamente as exigências objetivas da lei’. Num outro parágrafo o reafirma: ‘Em determindas circunstâncias, as pessoas encontram grandes dificuldades para agir de modo diverso’.

No entanto,  o Concílio de Trento, em seu cânon XVIII sobre a justificação, decreta:

Se alguém disser que é impossível ao homem ainda justificado e constituído em graça, observar os mandamentos de Deus, seja excomungado.

E diz a Escritura:

Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela. (1ª Cor 10,13)


 

Mons. Víctor Manuel Fernández é autor da obra:

00000207-224x320El arte de besar
En estas páginas, el autor destaca la importancia del beso como sostén de las relaciones tanto amorosas como afectivas, a la vez que enseña al lector a besar mejor.

http://www.edlumen.net/index.php?route=product/product&product_id=207

 

 

Leitor Contra-Revolucionário

Arauto do Evangelho e admirador de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira. Leitor de notícias do que outrora chamávamos Igreja...
  • Carlos José

    Bergoglio e os bispos apóstatas que o acompanham não fazem parte da Hierarquia eclesiástica.
    Eles apenas ocupam criminosamente a Estrutura Jurídica da Igreja, mais nada. Assim como um impostor que ocupa o trono e não é rei, como um homem que rouba a criança para criar e não é o pai, assim também eles se revestem de paramentos mas não compõem a Sagrada Hierarquia, são falsários, cretinos.
    Devem ser dilacerados pelo Leão!

  • Alexandre Sand

    Duas pessoas, duas mentalidades:

    São Pio X: o Papa impulsionador da devoção eucarística.

    Bergoglio: o promotor da profanação ao Santíssimo Sacramento.

    • Fabio Araujo

      Muito claro isso.

  • Luís Antoniello

    “discernimento pastoral no âmbito do “foro interno”, atento à consciência da pessoa, possa ter consequências práticas no modo de aplicar a disciplina. Esta novidade
    convida a recordar que a Igreja realmente pode evoluir, como já
    aconteceu na história, tanto na sua compreensão da doutrina como na
    aplicação de suas consequências disciplinares”

    Isto significa dizer que a “consciência da pessoa” sobrepassa a moral absoluta estabelecida por Deus, e que isto é uma evolução na doutrina e nas aplicações dela no plano disciplinar. Portanto a “igreja” mudou a doutrina para auxiliar as pessoas. Isso é heresia!

    A “igreja” de Francisco não é a fundada por Jesus Cristo “Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera”.Marcos 10:11,12
    Francisco não é católico nem cristão, ele é contar Cristo e sua Igreja!

  • Lluvia de Fuego

    Todo el que abandonar a su mujer y casarse con otra, comete adulterio, y el que se casará con la mujer rechazada, comete adulterio también. (Lc 16,18)
    ¿Dónde estaba San Lucas con la cabeza? Censurando a aquellos infelices…
    Suerte que Francisco vino para deshacer esa confusión. Pobres adúlteros, 2000 años sin poder comulgar.
    Mire el BIEN que este Papa está haciendo la Santa Iglesia de Dios.

  • José Ribeiro

    Eu imagino que se Lutero tivesse escrito uma encíclica, ele teria escrito a Amore Leticiae.
    Ele pregava a Livre interpretação da Bíblia, e parece que a Encíclica prega a livre interpretação da Teologia Moral.

  • Louis

    Tudo resume em deixar claro que não existe presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. É apenas um “memorial”, de maneira que em pecado ou não, qualquer um pode se aproximar do “sacramento” e depois voltar a vida do dia-a-dia. Com isso fica fundada a nova religião.

  • Cathy Pam

    Amo ler os comentários neste blog!!

  • Inacio Lucas

    “Aprovando” a comunhão para os divorciados é questão de tempo em afirmar que os “casais” homossexuais podem comungar. Um abismo atrai outro abismo.

  • juvenal cabral

    O Problema de Francisco, mais duque teologico é mental. ao meu ver, os psicologos devem recolher-o para hospicio.

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