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A difamação do apóstata

Uma das últimas e mais acirradas batalhas sustentadas em vida pelo Dr. Plinio Corrêa de Oliveira foi o violentíssimo estrondo publicitário do Rio Grande do Sul, iniciado no fim de 1992 e desenvolvido até o fim de seus dias nesta terra. As múltiplas refutações às acusações realizadas contra sua obra, publicadas nos jornais gaúchos nesse período, constituem verdadeiras pérolas da sabedoria de nosso Pai e Fundador. Algumas delas, inclusive, são totalmente atuais, mais agora, até, do que então.

Numa simples nota de rodapé encontramos um pensamento cuja aplicação à atual situação dos Arautos será de fácil aplicação para nossos leitores.

 Depoimentos desfavoráveis de egressos: de que valem como prova?Que valor tem, em casos como esse, o depoimento difamatório de um egresso? Se é verdade que, de um lado, este presta o testemunho de sua experiência, ele é levado, de outro lado, a fazer a crítica dessa experiência à vista das razões pelas quais se afastou da entidade, a ponto de se transformar em adversário dela. O que torna seu testemunho, a priori, suspeito de parcialidade.

Depoimentos de egressos – sobretudo quando são vários e não apresentam contradições de fundo entre si – podem, sem dúvida, ser tomados em consideração, mas não podem ser aceitos como suficientes e indiscutíveis. É o que ponderam com perspicácia, quanto a depoimentos análogos aos que se refere “Zero Hora”, os Professores David G. Bromley, Anson D. Shupe Jr. e J. C. Ventimiglia, da Universidade do Texas:

O papel do apóstata, que tem sido largamente negligenciado pelos sociólogos, tem um peso significativo para desacreditar um grupo dissidente e para justificar medidas de controle social. Como um indivíduo que abandonou a fé à qual aderia anteriormente, o apóstata é uma valiosa fonte de informação e pode representar o papel de testemunha “astro” em processos públicos ou em campanhas de propaganda contra o grupo. Pode revelar atividades e segredos internos do movimento, de forma a confirmar as suspeitas e as alegações contra este, condená-lo com um conhecimento e uma certeza que os de fora não podem ter, e reafirmar os valores da sociedade convencional, ao confessar voluntária e publicamente o “erro” ou seus caminhos.

Os apóstatas contribuem substancialmente para o teor inverossímil dos contos de atrocidades. Tendo desprezado os valores do sistema dominante, o apóstata dificilmente pode esperar reconquistar sua aceitação na sociedade convencional mediante simples manifestação de que já perdeu o interesse pelo grupo dissidente. Cabe a ele mostrar, de modo convincente, que sua reafirmação dos valores dominantes é autêntica, que ele compartilha com os demais os sentimentos de desaprovação em relação àquele grupo, e que seu compromisso anterior não era sincero.

Juntamente com uma confissão pública aceitável, o apóstata sente provavelmente alguma necessidade de explicar sua própria conduta. Outros poderão perguntar: se o grupo é tão manifestamente mau como ele agora afirma, por que ele abraçou essa causa anteriormente? Na tentativa de explicar como fora seduzido, e confirmar os piores temores em relação ao grupo, o apóstata é levado a pintar uma caricatura do grupo, que é elaborada mais pela sua condição atual de apóstata, do que por suas reais experiências do grupoThe Role of Anedoctal Atrocities in the Social Construction of Evil, in David G. Bromley - James T. Richardson, ed. 1ª, The Brainwashing? Deprogramming Controversy: Sociological, Psychological, Legal and Historical Perspectives, The Edwin Mellen Press, New York-Toronto, 1983, p. 156

Essas ponderações valem inteiramente para os depoimentos do gênero, que “Zero Hora” estadeia.

Evidentemente, a par do depoimento de egressos da TFP podem ser mencionados os de elementos da entidade, pois que é no recinto desta, e em contexto com elementos dela, que “Zero Hora” situa vários trechos de sua narração.

Ora, os sócios e cooperadores da TFP, pela sua própria perseverança na entidade, constituem uma negação viva e contínua de quanto “Zero Hora” refere. Pois algum deles que admitisse como verdadeiras tais narrações não teria outra coisa a fazer senão cortar ato contínuo qualquer liame com esta Sociedade.

As testemunhas filiadas à TFP depõem, portanto, em sentido contrário às mencionadas (“ex-integrantes” da entidade) por “Zero Hora”. E não poderiam ser sumariamente passadas sob silêncio pelo tablóide, embora pudessem ser argüidas de suspeitas pelos adversários da entidade.

Poderia alguém objetar que, dentro desta perspectiva, nenhuma associação de caráter ideológico poderia ser validamente investigada, pela radical impossibilidade de obter testemunhas insuspeitas do que nela se passa.

Tal objeção não procede. A análise comparativa do grau de crédito a dar a cada testemunha segundo seus predicados intelectuais e morais, os cargos e funções que exercia, e as possibilidades maiores ou menores de conhecer os fatos, conferidas por essas funções já são sem dúvida elementos valiosos para uma investigação. Acresce que a verificação da coerência entre os elementos constitutivos de cada depoimento, da inspeção da contabilidade, das publicações e dos arquivos da entidade, tudo isto pode enfim enriquecer ainda a investigação com provas das mais concludentes. Por fim, cabe lembrar que depoimentos favoráveis à entidade, provenientes de egressos dela, se revestem de particular caráter de validade, pois sua condição normalmente os torna insuspeitos para tal.

Nota 21. In: PLINIO CORRÊA DE OLIVIERA. Usando o mesmo realejo, mais uma vez investe contra a TFP o tablóide Zero Hora – A TFP se defende. Correio do Povo, Porto Alegre, 19 de fevereiro de 1993

Residuum Revertetur

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  • Louis

    Nossa, é de uma lógica impressionante. Simplesmente irrefutável. A serpente está prestes a mostrar sua sanha ardilosa a ponto de inebriar o público como outrora o fez com Eva no paraíso. Deixará o Leão, passar desapercebido esse réptil demoníaco? Estará o Leão a dormir? Cobras e serpentes, fujam para suas tocas imundas, pois não perdem por esperar!

  • Luiz Morato

    Curiosidade: A pessoa que aparece na foto acima é um apóstata?Pode-se saber o seu nome?Ou vai contra a caridade ?

    • Louis

      Pelo que parece é somente ilustrativo. Essa foto foi tirado do vídeo de um testemunho anônimo dado em uma entrevista em 2014.

      • Lluvia de Fuego

        A sí. Pero ya he visto algunos ex miembros parecidos a ese tipo ahí

      • Léo Gangrena

        Parecidos! Esse ai tem cara de santo comparado a alguns de que me passaram fotos, ele ao menos usa camiseta…

        Acho que vou borrar um pouco as fisionomias e censurar alguns corpos… postar ao menos as silhuetas, só para dar aquela fervida no caldo.

        Que tal? Já estou vendo gente de cabelo em pé!

        É de se pensar, pois alguns tem barbas tão ridículas e caras tão deprimentes que não se faz necessário borrar a fisionomia. Se bem que habitualmente os de dentro não os conseguem reconhecer, é preciso falar o nome…

        É inteiramente o que diz o artigo acima: “Cabe a ele [egresso] mostrar, de modo convincente, que sua reafirmação dos valores dominantes é autêntica, que ele compartilha com os demais os sentimentos de desaprovação em relação àquele grupo”.

        O mau egresso, denominado apóstata, passa a ter expressões sujas, são deprimidos e de aparência mau cuidada. Ficam modernos.

      • Louis

        Para publicar essas caras, o Residuum teria que abrir uma sessão nova: “Horrores da decadência”….

      • Luiz Eduardo

        rsrsr. Os ex arautos estão apavorados,não publicam mais nada no grupinho deles.
        Estão com medo.
        Nem lofrese e nem Alfonso falam mais nada.

      • Pedro Roberto Pedro,E.P

        Verdade,uma vez em simpósio com um padre dos Arautos este escravo de Maria viu fotos de um antigo membro do grupo…..nossa parecia um pocesso era horrível,cabelos grandes parecidos com de uma mulher,satanismo como religião,e drogas como alimento.(Ainda sou um Arauto)

  • José Ribeiro

    Uma coisa que reparei com quem abandona os Arautos do Evangelho é o seguinte: a pessoa foge dos amigos que continuam nos Arautos, foge dos padres e depois sai dizendo que os Arautos o abandonaram…
    Amigão, vc escolheu abandonar o grupo, não foi o contrário.
    Deixei de morar na sede em 2004, é nesse período nada mudou.

  • Hugo

    Desenterraram uma pérola de Dr Plinio!

    Creio que esse pensamento possa ser ilustrado assim:

    Imagine que um casal entre em crise e se separe, e alguém queira obter informações sobre um cônjuge perguntando justamente ao outro. É óbvio que só ouvirá uma versão viciada e altamente suspeita.

    Ou imagine que alguém queira conhecer a Igreja Católica lendo as obras de Lutero, Calvino, Erasmo, etc. A noção de Igreja que ele terá corresponderá à realidade? Por certo que não.

    No caso dos Arautos e TFP, o mesmo pode ser dito para quem acha que os conhece só porque leu a tremenda barafunda pseudo-intelectual do Orlando Fedeli et caterva.

    E quanto a chamar de ‘apóstatas’, imagino que se refiram especialmente aos recentes ‘egressos’ mau-caráter que provocaram o show midiático mais recente. Pode-se perfeitamente chamá-los de ‘apóstatas’ porque, pelo que comentaram por aí, a maioria nem sequer professa o Credo mais, e, ao contrário dos difamadores mais velhos, nem se preocupam mais em manter uma ‘casca’ de catolicismo na conduta.

    • V.Vocacionado

      Tens razão.
      Quanto ao Fedeli e os ‘montfortianos’, estou lendo a refutação que os arautos da TFP fizeram nos idos tempos, e, além dos argumentos, dá para perceber uma diferença bem grande de qualidade e coerência de pensamento em relação ao inimigo. Exprimiste bem ao dizer que Fedeli tem o pensamento como uma ‘barafunda’ – sinônimo de anarquia, confusão. Só quem já teve a desgraça de discutir com um fedelista sabe o quanto tens razão Hehehe

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