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Catolicismo self-service, jesuitismo e opção preferencial

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Difunde-se cada vez mais o “Catolicismo self-service”. Refere-se aqui a autodenominados católicos que abraçam hipocritamente realidades opostas à Igreja, junto com o que ela sustenta. Desfilam errantes pelo supermercado de doutrinas de fé, apegando-se a umas e descartando a outras, como bem lhes apetecem. Não importa se isso implica em contradição.

Para ficar mais claro, busquemos um paralelo na esfera civil. É evidente que é possível encontrar boas leis em qualquer Constituição, ainda que ao par de normas reprováveis. Supõe-se que existam bons costumes em maior ou menor grau em toda e qualquer civilização.

Nesses termos, postula-se o seguinte: qual o sistema de leis ideal para uma nação? Sem dúvida, aquele que conduz mais à perfeição moral e material de seus cidadãos.

Ora, haveria alguma aplicação disso à perspectiva religiosa?

Claro que sim. É inegável que há elementos de verdade em toda e qualquer religião. Mas todas são igualmente boas? Posto de outro modo: depois de aderir à perfeita Verdade em Cristo, seria sensato buscar verdades no paganismo?

A resposta só pode ser negativa.

Alguém poderia objetar que o processo de conversão pode passar por verdadeiros labirintos até alcançar a Verdade em Cristo. Isso, de fato, é real. Por exemplo, é comum a conversão de chineses pagãos ao Catolicismo após um tempo de adesão à “igreja patriótica” (leia-se: “cismática”) — que é supostamente livre para realizar cultos e por isso é bem mais visível e mais fácil de ser aquiescida. No entanto, trata-se aqui de um caminho ascendente. Em outras palavras, o hipotético catecúmeno está em progresso de elevação à verdade, e é inegável que possa encontrar sementes de verdade até mesmo no cisma. Sem embargo, cessando a censura cristofóbica do governo chinês, apenas se explicaria a existência da única Igreja em comunhão com a Sé Petrina: a Igreja Católica Apostólica Romana. A dissidência jamais é necessária…

Vejamos agora sob outro ponto de vista. E se, num caminho descendente, um alto prelado ou um superior de uma ordem religiosa sugerisse rebaixar sua sólida doutrina para encontrar Jesus no meio do paganismo? Digamos, através do new age ou da meditação zen, apenas para ilustrar em tese. Seria comparável à troca do Sagrado Banquete pelo pão ordinário? Ou seria, pior ainda, como na parábola do filho pródigo, a quem tudo lhe foi oferecido, mas escarneceu de seu pai, preferindo as bolotas dos porcos?

Sabemos que na Escritura o filho, afinal, se arrependeu e retornou amorosamente para os braços do pai. Será que o paralelo ocorreria com um “imaginário” Prepósito Geral dos jesuítas que por acaso promovesse o budismo em detrimento da pura Verdade? Optaria por ser verdadeiramente católico? Ou seguiria o catolicismo self-service, onde tudo é opcional, inclusive ser católico?

Antes de tentar oferecer uma resposta cabe aqui um parênteses. O dicionário Houaiss da Língua Portuguesa emprega o termo “jesuitismo” para: “caráter dissimulado, de quem se expressa por sofismas e evasivas; hipocrisia”. Por isso, talvez seria impossível descobrir o que se passaria pela cabeça do Papa Negro ante esta pergunta e qual seria a sua réplica.

O certo é que o autêntico católico tem opção preferencial somente por Jesus Cristo; jamais pelo catolicismo self-service. Muito menos se abraçado ao jesuitismo.

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Bruno Lanteri

Seguidor de Plinio Corrêa de Oliveira, colocando a esperteza a serviço da Contra-Revolução: "Desmascarar um erro diante de um grande público é insigne obra de caridade" (Plinio Corrêa de Oliveira, 1956).

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