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Imigrantes, papa e cardeal. O abade Faria repreende a Igreja. “A Itália é um país de joelhos”

Marco Tosatti
Tradução: Residuum Revertetur


“É um empenho cada vez mais generoso promover a cultura do acolhimento e da solidariedade, promovendo a paz e a fraternidade entre os povos”. Assim falou o Papa Francisco, há dois dias, em uma mensagem dirigida aos participantes do encontro internacional “Mediterrâneo: um porto de fraternidade”, promovido pela diocese de Ugento-Santa Maria di Leuca, com o apoio de numerosas instituições e realidades associativas. O evento teve a participação de 250 jovens de 31 países. Na mensagem enviada ao bispo local, Vito Angiuli, o Papa encoraja a comunidade cristã e aos jovens dos países mediterrâneos “bem como todas as pessoas de boa vontade, a considerar a presença de tantos irmãos e irmãs como migrantes, uma oportunidade para o crescimento humano, para o encontro e para o diálogo, bem como uma oportunidade para anunciar e testemunhar o Evangelho da Caridade”.

Após a ocasião de falar sobre a legalidade e a sabedoria derramada pelo Cardeal Bassetti no mar da retórica migrantista espalhada às torrentes por muitos prelados, é a primeira vez que o Pontífice obcecado pelas migrações se expressa sobre o tema.

Será uma coincidência ou não que nesse dia chegou-nos um desabafo do Abade Faria. Eis aqui abaixo.

As recentes “frenagens” das hierarquias do Vaticano me obrigam a voltar a um tema que já debatemos antes. Apesar de prestar obséquio a meus superiores, percebo que alguns deles (não poucos, infelizmente) vivem como em uma bolha fora da realidade, uma bolha que se alimenta de palavras talismãs, como diria Plinio Corrêa de Oliveira: Palavras como “solidariedade, acolhimento, misericórdia”, palavras com um profundo significado cristão, quando estão ancoradas tomisticamente à realidade. Mas quando estão desligadas dela, tornam-se perigosas.

Há fatos. A Itália é um país de joelhos sob muitos pontos de vista: político, econômico, social. Não pode suportar a carga de grandes ondas migratórias prestes ao colapso. Os estrangeiros que vêm e vivem honestamente são sempre bem-vindos.

Mas não há lugar para todos.

Infelizmente o fenômeno da aquiescência das hierarquias do Vaticano penetra profundamente no viver civilista daqueles que – infelizmente – já não professam a fé católica (e são cada vez mais numerosos …). Deve-se aceitar quem quer ser aceito, quem deseja se integrar, quem respeita os costumes e as leis do país que o acolhe. Quem pensa que viver como mendigos é uma opção de vida, e não uma necessidade imediata, compatível com nossa sociedade, deve ser desiludido e possivelmente distanciado do país. Essas pessoas são as que às vezes perseguem e envolvem turistas ou moradores locais para roubar suas carteiras. Todo mundo sabe de onde vem o problema. Nada é feito para resolver isso, muitas vezes por ficarem assustados pelas palavras “solidariedade, acolhimento, misericórdia”, mal utilizadas e sem qualquer ligação com a realidade, e contra qualquer possível ensinamento da moral e da ética católica.

Abate Faria

Agora aguardamos os relâmpagos canônicos sobre o pobre abade …

Paulo de Tarso

Alguém que, como o Apóstolo, examina tudo e fica com o que é bom (Cf.I Ts, 5,21).
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