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“Eu sei que estou me opondo aos planos de Deus!”

Passaram-se sete dias desde a realização do último primeiro sábado na Catedral da Sé, em São Paulo, e os leitores que acompanham os artigos do Residuum Revertetur ainda se perguntam sobre a real interpretação dos fatos que ali se deram.

Estamos todos ainda nos recuperando de uma grande surpresa. E, aturdidos, demoramos um pouco para ordenar as nossas impressões e ideias consequentes, que resultaram numa conclusão: “Deus está ao nosso lado!”

Alguns jovens arautos, revestidos de seu característico hábito, preparavam a celebração na sacristia da Sé e conversavam animadamente na expectativa da recepção de uma personalidade eclesiástica que ali se apresentaria em breve para presidir a cerimônia.

Até que um jovial senhor entrou no recinto, discreto e observador. Seu estilo era despojado: mochila nas costas, o colarinho da camisa social ventilado e um chapéu golfista conferiam-lhe uma apresentação, ao mesmo tempo, risonha e arcaica.

O falatório continuou, até que a figura tocou nos paramentos:

– É o bispo?! – disse um dos rapazes.

– É o bispo! – responderam outros.

– Ajude-o! – concluiu o responsável.

Dom Sérgio de Deus, Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, começou a se paramentar assistido pelos acólitos. Repostos da agitação decorrente do inesperado encontro, os sacristães presentes analisaram o ar enigmático que envolvia o prelado. Questionavam-se por que motivo não teria ele comparecido à Catedral revestido segundo sua dignidade episcopal: para disfarçar? por falsa humildade? por despojamento virtuoso? Inevitáveis perguntas…

Em sua homilia, Dom Sérgio definiu o precursor de Jesus Cristo: “um homem providencial, não entendido em sua época”. É por essa razão que fomos surpreendidos! Foi forçoso pensar que o celebrante, um dos supostos visitadores apostólicos, é dotado de uma grande capacidade de entender a nossa instituição.

E a cada palavra pronunciada, nosso assombro aumentava… Também afirmou que os poderosos perseguiam São João Batista, figura profética e incompreendida, porque ele pregava a Verdade, que era Cristo! Logo, enquanto filhos do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, sentimo-nos interpretados em tais considerações.

E já tomados de alguma admiração, ainda ouvimos: “os profetas são perseguidos…” Não houve como evitar o pasmo diante do pregador, que em face da perspectiva ainda incipiente da inquisição farisaica, fora antes objeto de nossa antipatia.

Concluímos, pois, que o personagem compreende melhor do que pensávamos o caráter profético da obra que supostamente visita. E assim como Herodes sentia temor ao perseguir São João Batista “sabendo que era um homem justo e santo” (Mc 6, 20), perguntamo-nos: os visitadores reconhecerão a missão providencial desta obra, seja por temor de contradizer a Deus, seja por receio da multidão? Ou terminarão, talvez, por lhe “cortar a cabeça” obedecendo às suas paixões e instigados por uma nova Herodíades? Não sabemos, mas cada vez fica mais claro: eles começam a se dar conta de que, se nos perseguirem, estarão se levantando contra o próprio Deus…

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