Ir para conteúdo

O “calcanhar de Aquiles” do pontificado de Francisco

 

Por Catarina Maria B. de Almeida | FratresInUnum.com

Un café con Galat”. É assim que se chama o programa da TV Teleamiga, emissora de orientação católica de Bogotá, que está dando dores de cabeça ao episcopado colombiano.

O programa leva o nome de seu apresentador, José Galat, acadêmico e presidente do canal televisivo e da Universidade La Gran Colombia, que resolveu se colocar na contramão do pontificado de Francisco.

Galat alega que o Papa argentino não teria sido legitimamente eleito e que favoreceria abertamente a heresia na Igreja Católica. Até aí, nenhuma novidade.

Acontece que a Conferência Episcopal Colombiana emitiu um “Comunicado” em que afirma que, “ao rechaçar a sua sujeição ao Papa e ao ferir gravemente a comunhão da Igreja, incorre-se em um cisma”, e solicita “àqueles que participam em outros espaços do canal, ainda que com a intenção de servir à evangelização, a deixar esta colaboração” e exorta aos “sacerdotes e religiosos que deixem todo tipo de apoio a este canal”. Além disso, proíbe a transmissão da Santa Missa pela emissora e pede que os fieis deixem de assisti-la.

Como se isso não bastasse, Mons. Pedro Mercado Cepeda, Vigário Judicial da Arquidiocese de Bogotá e Presidente do Tribunal Eclesiástico, tirando as consequências da declaração dos bispos, afirmou à agência de notícias Aciprensa que, “com sua irada resposta ao episcopado e seu contumaz rechaço ao Papa Francisco, o Dr. José Galat se colocou fora da comunhão da Igreja Católica”, estando, portanto, “excomungado”, não devendo “ser admitido aos sacramentos até dar mostras claras de arrependimento”.

Diante de uma reação tão clamorosa, cabem algumas considerações.

Por que os bispos nunca defenderam os papas anteriores, Bento XVI, João Paulo II e, inclusive, Paulo VI? Nunca se viu uma Conferência Episcopal tomar medidas tão drásticas contra um canal de televisão ou mesmo contra um teólogo, quando o assunto foi obediência ao Sucessor de Pedro. No Brasil, Leonardo Boff sempre foi o queridinho dos bispos. Quem esquecerá a rebelião promovida por episcopados inteiros (como ignorar a infame declaração de Winnipeg da Conferência Episcopal do Canadá?) contra Paulo VI, por causa da Humanae Vitae, ou as críticas ásperas de Benhard Häring ou do Cardeal Martini a João Paulo II e a Bento XVI no final de suas vidas?… Algum episcopado se manifestou? Nenhum!

Os que outrora criticaram abertamente os papas anteriores agora são bajulados pelos defensores de Francisco e, inclusive, por ele mesmo.Na 36a. Congregação Geral da Companhia de Jesus, o primeiro Papa jesuíta elogiou rasgadamente Bernhard Häring, como bem documenta a revista La Civiltà Cattolica. Em seu primeiro Angelus, ele também louvou publicamente o Cardeal Kasper, grande articulador de sua eleição e seu estreito colaborador em Amoris Laetitia. Kasper que, outrora, desafiava escancaradamente a autoridade de João Paulo II e do então Cardeal Ratzinger ao criticar de maneira contundente a declaração Dominus Iesus. Francisco também não economizou elogios ao maior antagonista de João Paulo II e Bento XVI, o Cardearl Carlo Maria Martini, arcebispo emérito de Milão, seu confrade jesuíta. Ultimamente, circulam rumores de que Francisco teria convocado Leonardo Boff, um de seus colaboradores em Laudato Si, para reparar as “injustiças” que o então Cardeal Joseph Ratzinger teria cometido contra ele. Parece que atacar o Papa não é algo tão reprovável assim, desde que o atacado não seja Francisco.

Aqueles que defenderam os papas anteriores e por eles perderam a fama, a honra, o prestígio, os bens, agora são considerados cismáticos pelo simples fato de criticarem os críticos daqueles mesmos papas, mas que, agora, estão no controle da Sé Apostólica. Como já é tradição, os progressistas pregam a libertação e a fraternidade como desculpa para perseguirem todos os seus opositores, praticando uma misericórdia seletiva, que exclui decididamente qualquer um que ouse pensar diferentemente deles. Em tempos nos quais os adúlteros são admitidos publicamente à comunhão eucarística numa cerimônia realizada exclusivamente para isso, o diretor de uma TV católica é excluído dos sacramentos por questionar Francisco. Em outras palavras, Papa Francisco seria mais importante que Cristo Eucarístico! Estaríamos diante de uma idolatria?

Toda a doutrina católica pode ruir. Parece que o único dogma existente na Igreja de hoje é não contrariar o Papa Bergoglio!

Mas, resta uma pergunta: por que uma reação tão desproporcional? A resposta parece estar no fato de que Galat tocou no tema tabu, naquele sobre o qual ninguém pode falar nada: a eleição de Francisco.

Deixando de lado a estranha renúncia de um papa que não renunciou ao título, à batina branca, ao nome, à residência no Vaticano, que afirmou que renunciava apenas ao “exercício ativo do ministério” (afirmação tão misteriosa que talvez nem ele mesmo tenho entendido), cujo secretário afirmou que “há um ministério expandido” e Bento continua a ser papa reinante simultaneamente com o outro, e tudo em circunstâncias enigmáticas em que parecem ter intervindo poderes extraeclesiais, fixemos nossa atenção brevemente na eleição de Francisco.

Na biografia autorizada de Papa Bergoglio, a jornalista argentina Elisabetta Piqué conta que ele foi eleito no quinto escrutínio do dia 13 de março de 2013, pois o quarto escrutínio do dia teria sido anulado (visto que, na contagem dos votos, havia uma cédula em branco a mais, que algum dos eleitores teria colocado por engano) e os cardeais teriam realizado imediatamente uma nova eleição (a quinta do dia, a terceira daquela tarde).

Acontece que a Constituição Universi Dominici Gregis, que regula o Conclave, estabelece que “se porventura, no apuramento dos votos, os escrutinadores encontrarem duas fichas dobradas de maneira tal que pareçam preenchidas por um único eleitor, e se em ambas figura o mesmo nome, elas contam por um único voto; se, pelo contrário, nelas figuram dois nomes diferentes, nenhum dos dois votos será válido; em nenhum dos casos, porém, será anulada a votação” (n. 69).

Ali se estabelece, também, que no primeiro dia do Conclave “haverá um só escrutínio; nos dias sucessivos, se a eleição não se fizer no primeiro escrutínio, deverá haver duas votações, tanto da parte da manhã como da tarde” (n. 63). O quinto escrutínio seria, então… ilegal?

Essas normas não são sem importância, pois, como afirma categoricamente o mesmo documento, “no caso de a eleição ser feita de uma forma diversa daquela prescrita na presente Constituição ou sem terem sido observadas as condições aqui estabelecidas, tal eleição é por isso mesmo nula e inválida, sem necessidade de qualquer declaração, e, portanto, não confere direito algum à pessoa eleita” (n. 76). Em seu livro Non é Francesco, Antonio Socci comenta longamente o problema.

Nem falemos sobre a máfia de St. Gallen, o grupo de cardeais que fez um bloco de resistência a Bento XVI e desde 2005 trabalhava pela eleição de Bergoglio, cuja chefia orgulhosamente foi confessada em plena televisão pelo Cardeal Danneels, da Bélgica.

Renúncia misteriosa, conclave irregular?… Por que tanto medo à crítica? Por que um silenciamento tão enérgico? Essa demonstração de força pode revelar, no fundo, uma fraqueza. Não seria esse o ponto fraco deste pontificado: a legitimidade? Talvez, José Galat nem sonhe com quem está mexendo…

Fato é que a verdade tende a aparecer. Pouco serve esconder o defunto no fundo do rio: numa bela manhã, o cadáver aparece.


UN CAFÉ CON GALAT – EL BARCO DE LA IGLESIA A PUNTO DE ZOZOBRAR

 



Paulo de Tarso

Alguém que, como o Apóstolo, examina tudo e fica com o que é bom (Cf.I Ts, 5,21).
  • Luiz Morato

    Eu achava que o Francisco era um mau Papa.Lendo estas últimas notícias do Residuum Revertetur estou concluindo que pode nem ser um legítimo Papa.Portanto ilegítimo e mau.

    • Pampero

      Isso não é uma novidade meu amigo. Na história da Igreja já teve tempos em que tinham até tres Papas, dois os quais eram anti papas. Não pode existir escandalo por pensar, com as provas na mão, que Bergoglio não é Papa. e acho que não é mesmo.

      • Ipsa Conteret

        O Papa em matéria de fé e moral é pelo Espito Santo impossibilitado de errar, agora, se Francisco faz essas abobinacões, é lógico que ele não está assistido pelo Espírito Santo, logo não é Papa…

      • José Ribeiro

        Da msm maneira que os ditadores mudaram a forma de chegar ao poder (vede o Maduro na Venezuela, que chegou atrás dos votos), pode um anti Papa, ter mudado a forma de tomar o trono de São Pedro para parecer legítimo?

  • José Ribeiro

    Não sei se entre os Leões tem algum especialista em direito Canônico. Eu não sou…
    Mas imagino que essa situação da eleição de Francisco, se assemelhe a de um casamento nulo.
    Quando um casamento e declarado nulo, não se está negando a indissolubilidade do sacramento, porque aquele casamento nunca existiu. com a eleição seria isso?

    No caso de eleição dele ter sido nula, como ficam os atos dele? Canonizações, beatificações, indulgências, etc…

  • Juan Vargas

    Olha eu moro em Roma e tenho amigos canonistas, além de ouvir o que se fala em muitos corredores. Gosto muito dos Arautos, e muito mais ainda da TFP de Dr. Plinio. Ele foi um homem católico até a medula dos ossos!
    A respeito da eleição, sobretudo depois do card. Daneels declarar (violando o segredo do conclave) que o papa Francisco foi eleito por uma conspiração da qual ele fazia parte, há quem põe em dúvida sua eleição; pois a eleição tem que ser livre; e o próprio Francisco gosta de dizer que ele é apenas “bispo de Roma”, como tantos outros bispos há no mundo. Parece que ele mesmo não acredita que tenha sido válida. É o que sai na imprensa escrita, e até em livros. Como v. diz, se não houve eleição válida, ele não é papa… E como fica o resto?
    Tanto mais que não é certo que Bento XVI tenha renunciado ao papado, mas apenas ao “exercício” do mesmo. Isso já escutei em muitas conversas de especialistas; continua vestindo como papa e usando insignias de papa. Até Mons. Georg diz isso. Como fica?
    Ora papa só pode ser um. Qual dos dois está certo?
    Recentemente Bento XVI fez críticas, em vários discursos, à situação da Igreja que, segundo ele, está indo à deriva… E muitos bergoglianos romanos sentiram a cutucada.
    Então estamos novamente com um cisma na Igreja, como já teve tantos no passado? Pode ter de novo um cisma, com anti-papas? A história diz que sim. E teve muitos… infelizmente.
    Este papa atual, faz tanta coisa errada, que até parece que o Espírito Santo ausentou-se do Vaticano: diz que a abortista Bonino é o modelo da mulher italiana, que homossexuais podem comungar, que adúlteros podem comungar… Fala de “tolerancia zero”, mas ainda não demitiu nem Coccopalmiero, nem Pell, nem Maradiaga… nem o bêbedo Braz de Avis. Na diocese de Gorizia o arcebispo autoriza escoteiros homossexuais “casados” a comungar, mas D. Redealli sabe disso há mais de quatro anos, e nada; e continua no cargo! Onde está a “tolerância zero”? Acho que perdeu-se em algum bueiro.
    Para não falar do que a gente conhece mas ainda não saiu na imprensa; então, por respeito, nem diz aqui.
    Há cardeais que declaram abertamente que o papa erra em doutrina. Um deles (Meisner) morreu misteriosamente há pouco. Outro (Muller) foi expulso de seu cargo, e diz ele que de modo muito bruto… ele fala hoje que lealdade ao papa não é adulação… Porque ele diz isso? Quem mora em Roma habitua-se a ler nas entrelinhas.
    Vão para frente com este “revertetur” que Deus há de intervir, e Nossa Senhora prometeu em Fátima: “Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará!”
    Ela falou de “coração imaculado” não de coração de homossexuais e adúlteros… como gostaria o Pe. James Martin.

    Nossa Senhora os ajude e de coragem para ir para frente!!

    • José Ribeiro

      Quando fiz o comentário perguntando sobre a nulidade da eleição, pensei nisso:
      Depois de tanto tempo sem ter um papa estrangeiro, teve a eleição do Papa São João Paulo II.
      Depois de tanto tempo, teve a renúncia do Papa Bento XVI.
      Há quanto tempo que não há um anti papa na Igreja? Qual foi o último?

      • Juan Vargas

        Eu não entendo bem direito, mas há quem diz que a eleição foi nula porque fizeram uma votação que não estava autorizada pelo “regulamento” do Conclave: só podem fazer quatro por dia, e fizeram uma quinta. É tanta confusão…

        Os que dizem que foi nula são gente de peso, e tem livros publicados. E até agora não vi nenhum canonista sério responder que a eleição foi válida.
        Porque esse silencio que só gera confusão?
        Bom, quem deveria esclarecer seria o card. Coccopalmiero, mas com tanta roupa suja em casa… se agora ele falar algo vai parecer que está querendo “comprar” o silencio do papa para suas “festinhas gays”.

        Alias anti-papas teve no século XX na Espanha, e continuam até agora: o primeiro beberrão, outro mulherengo (deixou o “papado” para ir morar com uma freira… como Lutero e outros clérigos recentes), meio milhão de euros que aparecem e desaparecem… tem casos de abusos a seminaristas com mortes estranhas… Bom. Não digo que seja o mesmo, mas parece com algo conhecido, perto da gente.

        Precisamos rezar muito!!

        Ahh!, se Dr. Plinio estivesse vivo ele teria a palavra certa em meio de tanta confusão!! Ele desmascarou a Ação Católica infiltrada, as Reformas Agrárias promovidas pelos bispos do Brasil, Os Cursillos de Cristiandad (que tanto mal fizeram en mi pais), Os Grupos Proféticos, O IDOC. As Comunidades de Base. A Ostopolitik de Casaroli… Tanta coisa!!

        Dr. Plinio, desde o céu rogai por nós!! que como diz Bento XVI “a Chiesa ha bisogno di pastori convincenti e che sappiano resistere alla
        dittatura dello spirito del tempo e decisamente sappiano vivere con
        fede e ragione”, e mais: “il Signore non abbandona la sua Chiesa, anche se a volte la barca sta per capovolgersi.”, o sea que el Señor no va a abandonarnos aunque parezca que la baraca de Pedro va a zozobrar.

  • Pingback: Igreja Católica, Um Papa não Papa! – Na Onda Certa()

  • Ipsa Conteret

    ” A história do fracasso de Deus, segundo Francisco.

  • Juan Vargas

    Quem quiser saber se houve papas hereges ha História, que lei um texto que acabam de me enviar, publicado recentemente: “Os papas hereges”. È um capítulo do livro “A Fe dos Italianos” (de Adriano Prosperi) escrito pelo historiador, professor universitário, Vincenzo Lavenia.
    Que houve papas hereges, houve. E cada um que… vou te contar!
    Está em italiano.
    https://www.academia.edu/30484872/Il_papa_eretico._Per_una_storia_della_sovranit%C3%A0_dei_pontefici_in_Per_Adriano_Prosperi_vol._3_Riti_di_passaggio_storie_di_giustizia_a_cura_di_V._Lavenia_e_G._Paolin_Edizioni_della_Normale_Pisa_2011_pp._219-241?auto=download
    Mas quando o papa herege deixa de ser papa? Se tiver sido eleito fradulentamente, não é papa, porque “papa dubius papa nullus” – o papa que foi eleito de forma duvidosa não é jamais papa.
    O que dizer de tantos cúmplices de tantas coisas? Será que nenhum bispo, nenhum cardeal se da conta de tudo quanto diz no post “Um remédio perigoso…”?
    https://residuumrevertetur.com/2017/08/04/um-remedio-perigoso/
    Quem cala consente… Se vejo num shopping center alguém roubar a bolsa de uma senhora, e não falo nada, sou ladrão: pecado e delito civil.

  • Segantin

    Vendo a situação atual de caos dentro da Igreja agradeço a Deus pelos Arautos do evangelho existir, senão não sei para onde eu ia olhar.Monsenhor João Cla obrigado pelo vosso sim a vocação Sacerdotal e reze por nós que estamos de acordo com o Sr.A vossa benção.

%d blogueiros gostam disto: