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Jesuíta, consultor do Vaticano, propõe ponte entre Igreja e homossexualismo

O padre jesuíta James Martin, consultor do Vaticano na Secretaria para a Comunicação, já defendeu que “alguns santos foram gays” e que “no Paraíso seremos saudados por homens e mulheres LGBT”. Recentemente a propósito de uma parada gay externou em seu twitter: “É belo ser gay, sejam orgulhosos e cheios alegria em ser gays, porque os gays são os filhos amados de Deus e são feitos à sua imagem”.

E agora o que teria acontecido?

Será que recebeu reprimendas de seus superiores? Houve algum desmentido de sua parte? Foi despedido de seu cargo de consultor da Santa Sé? Alguma ameaça de visita apostólica na Secretaria para a Comunicação?

De forma alguma. Numa entrevista recente, sob os cuidados de Chiara Basso, confirma ainda mais suas convicções. Suas respostas são dadas a propósito de seu último livro Building a Bridge: How the Catholic Church and the LGBT Community Can Enter into a Relationship of Respect, Compassion, and Sensitivity. A publicação foi coroada com uma introdução do Cardeal Kevin Farrell e o imprimi potest de seu superior provincial.

Eis alguns trechos da entrevista.

***

Homossexualismo: a ponte para construir na Igreja Católica

ilsismografo

-Você observa as grandes diferenças entre a Itália e os EUA a este respeito [em relação ao diálogo Igreja e LGBT]?

“Eu estava falando há alguns dias com um amigo italiano. Ele me disse que meu livro não seria compreendido na Itália, ele diz que há ainda muitos problemas para lidar com esta questão. Em particular, os homens Italianos são muito preocupados em defender sua masculinidade e uma abertura ao mundo gay é vista como uma grande ameaça. Eu diria que, em geral, os católicos americanos estão mais abertos aos gays do que os católicos italianos. Na verdade, aqui nos EUA, especialmente entre a geração do milênio, ter um amigo gay é quase considerada legal (cool) porque é um sinal de abertura. E assim termina que a Igreja, aquela que pelo contrário fecha a porta aos homossexuais, distancia os jovens heterossexuais afastado que não entendem esta falta de abertura. Ouço com frequência a frase ‘Eu não quero pertencer a uma igreja que não aceita meu amigo LGBT’. Este livro, na verdade, não é escrito apenas para gays, mas também para as suas famílias e amigos”.

-Há uma denominação cristã ou crença que já tem sido capaz de construir uma ponte?

“Há várias igrejas nos Estados Unidos, onde gays se sentem perfeitamente aceites. Eu acho que a Igreja Episcopal, que tem padres que são gays e tem zero barreiras para quem quer que seja. E é para essas igrejas que acabam indo os católicos LGBT que não se sentem aceitos”.

-Mas, voltando à metáfora da ponte em duas direções, o que se espera do mundo gay para facilitar o diálogo?

“Um retorno às três claves de diálogo, que são respeito, compaixão e sensibilidade. Neste caso, respeito significa que os gays não devem tirar sarro de instituições religiosas ou sobre como os bispos se vestem ou as suas outras práticas. Burlar-se significa fazer aos outros o que eles não que façam a eles. Compaixão significa tentar compreender os bispos e a complexidade do seu ministério, tentar entender como vivem e o que eles enfrentam. A sensibilidade é também entender que, por vezes, alguns sacerdotes tiveram que lidar com o fato de serem gays.

-É bem sabido que de fato muitos padres e seminaristas são homossexuais. Este fato, que tipo de problemas representa para a Igreja Católica? É possível os padres serem gays e bons?

“Claro, conheço dezenas de ótimos religiosos que vivem uma vida de castidade. Alguns eram meus guias espirituais ou meus superiores. Mas eu quero ser claro para não ser mal interpretado: Quero dizer que são gays, mas não sexualmente ativos”.

-Eles admitem que são gays, então?

“Bem, só em privado, mas acho que uma das dificuldades para eles é falar sobre isso publicamente. E isto por várias razões. Primeiro, eles podem ser reservados por natureza; segundo, os seus superiores poderiam ter lhes dito para não falar sobre isso em público; terceiro, poderiam temer a resposta e crítica de seus paroquianos. Todas estas coisas contribuem para o seu silêncio. Eu acho que se amanhã todos os sacerdotes e padres gays aparecessem, estaríamos todos em choque. O segredo em torno deste tema é realmente infeliz”.

-Você acha que, se eles se revelassem seria mais fácil construir esta ponte?

“Absolutamente, seria um grande passo em frente porque as pessoas diriam ‘veja, acontece [a homossexualidade] com padres e bispos’. Claro, você não quer um padre que fala o tempo todo sobre sua homossexualidade, mas há momentos, por exemplo, em casos sucessivos de homofobia ou perseguição de gays, onde eles poderiam falar sobre a sua experiência e talvez dizer ‘eu tive problemas com minha homossexualidade quando eu era mais jovem, mas Deus me ajudou a me fazer sentir bem e amado.” […]

-Você acha que as religiosas estão mais abertos a estas questões?

“Não me parece. Nenhuma que eu conheço se revelou. Abrir-se aos fiéis gays depende talvez de cada instituto [religioso] e das dioceses.”

-Mas não se pode ignorar o fato de que algumas páginas da Bíblia têm sido tradicionalmente lidas como uma condenação da homossexualidade, em termos inequívocos. Mas é realmente isso ou essas páginas têm sido mal interpretados? Em suma, Deus é realmente contra os homossexuais ou devemos ter entendido mal, culpando os gays?

“É difícil responder a esta pergunta, porque eu não sou um teólogo. [E desvia o tema e convida para procurar resposta no livro].

-Como você avalia a abertura do Papa Francisco de gays?

“É interessante ver como este Papa tem sido mais aberto para os homossexuais do que seus antecessores. Tenho certeza que ele conhece alguns, como seu amigo gay Yayo Grassi, e isso muda o seu entendimento sobre os homossexuais; não é mais uma categoria, são pessoas”.

-Muitos apoiadores da comunidade LGBT, no entanto, criticam o fato de que o Papa mudou sua atitude em relação aos gays, mas não a doutrina. Então, o que é mais importante: estar do lado de pessoas que estão à margem, como Jesus ensinou, ou seguir os ensinamentos doutrinários que a homossexualidade é um pecado?

“Eu não acho que tem que haver uma dicotomia entre as duas coisas, porque Jesus é a doutrina e quando dividimos as duas coisas tudo fica mais difícil. A doutrina de fundo é uma interpretação daquilo que Cristo nos pede. Se olharmos para o Evangelho, vemos que todas as vezes que as regras estavam em conflito com o seu amor para alguém, ele escolheu o amor. Ele não deveria ter que falar com a mulher samaritana no poço, mas fala; não deveria ter tocado nos leprosos, ele não deveria falar com o centurião romano … Jesus sempre chegou às pessoas que se sentiram marginalizadas e as colocaram de volta no centro da comunidade. À margem é onde gays se sentem. Eles são os leprosos de hoje. Não há ninguém na Igreja de hoje que se sente mais marginalizado que eles. Mesmo as mulheres, que às vezes se sentem deixadas de fora, têm papéis no Vaticano, temos um dia dedicado às mulheres.

-Em vez disso, não há jornadas LGBT organizadas pelas Igrejas. Você acha que seria bom que as houvesse?

“Claro, absolutamente, por que não? Nós podemos assim ouvir as suas experiências, mas é algo ainda assustador para as pessoas. Acho que se Jesus estivesse hoje entre nós ele estaria em meio as os homossexuais”.

  • Augusto

    E também disse numa entrevista certa vez que as passagens bíblicas contrárias ao homossexualismo devem ser entendidas de modo contextualizado para a época…

  • José Ribeiro

    Meu Deus! Tem certeza que entrevistaram um Católico?
    Esse pessoal é mais escorregadio que quiabo…

  • Juan Vargas

    Tem cara de LGTB mesmo.
    Será que ele leu o que Nosso Senhor falou da “geração de adúlteros e pecadores” (Mc 8, 38)? A homossexualidade é menos ruim do que o adultério? Ou pior? fornicação, adultério, libertinagem… tudo isso contamina o homem (Mc 7, 20). Nem os afeminados nem os sodomitas, ou seja qualquer que seja seu modo de ser homosexual, entrarão no Reino dos Céus. Assim ensinou Cristo, assim Paulo, assim a Igreja Santa Católica Apostólica e Romana, como Dr. Plinio, eco fidelíssimo da Igreja repetiu e repete ainda hoje.
    Um Lutero, um Zuinglio, um Wiclef, um Huss, um Knox… todos eram padres, todos foram hereges, todos ensinaram a imoralidade.
    Até que Deus os tirou da terra.

  • Malurodrigues

    E foi esse daí que foi celebrar no congresso de terciários dos Arautos do Evangelho?🤔ou foi outro?

  • Joana d’Arc

    Um asco! Como tinha razão (e como não teria razão) Maria Santíssima em la Salette ao definir os figurantes desse “clero” como verdadeiras “cloacas de IMPUREZA!” É um horror atrás do outro… Sem palavras! Temos que dar um basta nisso urgentemente!

  • Charles da Cruz

    Santa Faustina Kowalska, a quem se revelou a Divina Misericórdia, certo dia foi levada por um anjo para ver as penas do inferno.

    “Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe.
    Hoje conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno. É um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi: o primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso de consciência; o terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca; o quarto tormento, é o fogo, que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, um horrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as almas condenadas vêem-se mutuamente e vêem todo o mal dos outros e o seu; o sexto é a continua companhia do demônio; o sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias. São tormentos que todos os condenados sofrem juntos, mas não é o fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda eternidade. Estou escrevendo isso por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é.”

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