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A causa da Revolução

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Publicamos hoje um atualíssimo artigo de nosso Pai e Fundador, o Sr. Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, sobre as causas mais profundas de tantas tramas no mundo contemporâneo. Quem sabe, mais adiante, nos sirva como ponto de partida para diversos paralelismos com a situação interna da Igreja. Temos certeza, aliás, de que isso não será difícil para os mais argutos entre os nossos leitores, sobretudo porque em 1960, ano de publicação do presente texto, a terrível crise eclesial ainda não tinha dado seus piores frutos que hoje vemos por toda parte.

Uma observação de São João Bosco esclarece a causa da Revolução

“Cruzado Espanhol” honra-me reproduzindo em suas colunas boa parte do meu estudo sobre “Revolução e Contra-Revolução”. Tal publicação fez-me ver que o assunto interessa aos leitores da citada revista. Assim é que me proponho, na presente colaboração, tratar – embora ligeiramente – duma questão inteiramente relacionada com o tema de meu estudo, mas que, pelo amor à brevidade, não desenvolvi tanto quanto seria meu desejo. 

Entrarei na matéria de modo talvez um tanto inesperado.

Folheando escritos de São João Bosco, encontrei a seguinte curiosa observação:

donbosco-y-los-jovenes-550“Primeiramente, no que se refere aos maus, direi apenas uma coisa, que talvez pareça inverossímil, mas que é verdade certa, tal qual a digo: suponhamos que entre 500 alunos de um colégio haja um de vida depravada; chega depois um novo aluno pervertido; são de regiões e lugares diferentes, até de nacionalidades diversas, estão em cursos e lugares diferentes, nunca se viram nem se conheceram; apesar de tudo isto, no segundo dia de estadia no colégio, e talvez após algumas horas, vê-los-eis juntos durante o recreio. Parece que um espírito mau os faz adivinhar quem está manchado de seu mesmo negrume, ou então é como se um ímã demoníaco os atraísse para travar íntima amizade. O ‘dize-me com quem andas e te direi quem és’ é um meio facílimo de dar com as ovelhas sarnentas, antes que se transformem em lobos rapaces. Não são para colégios correntes” (Biografia S.D.B. – B.A.C. – Madri, 1955 – págs. 457/58)

Testemunho de observador tão veraz, experimentado e competente em assuntos pedagógicos, não pode ser posto em dúvida.

No entanto este testemunho põe-nos na presença de fato que não é difícil observar, mesmo entre adultos, tanto nos episódios rotineiros da vida quotidiana quanto nos grandes acontecimentos históricos. Quando o mal chega a um certo nível de profundidade nas almas, estas ficam dotadas de uma agudeza de vistas que lhes permite, através de indícios que a outros poderiam parecer insignificantes, chegar a reconhecer de longe os seus congêneres. A tal agudeza de vistas junta-se uma outra peculiaridade: uma recíproca atração que os une rapidamente, em íntima convivência, apesar das muitas circunstâncias que os possam separar, como diferença de origem, de idade, etc. É fácil verificar como da conjunção de elementos de tal índole origina-se, naturalmente, um grupo e até uma corrente, que funciona como um tumor que destila veneno. 

  • 1. A união acentua as características – Na intimidade do grupo forma-se, pela recíproca emulação, um ambiente diametralmente oposto ao ambiente geral em que se encontram. 
  • 2. A acentuação das características engendra o ódio – Tal diversidade engendra, necessariamente, antipatias, fricções, ódio contra a maioria. Tal ódio poderá conservar-se encoberto, por motivos de convivência, mas em alguns casos (não sempre) a própria necessidade de calar aumentará sua virulência. 
  • 3. O ódio concita à luta – É uma conseqüência forçosa. Quem se encontra mal num ambiente, pugna por modificá-lo. E, ao defrontar-se com obstáculos, pugna para eliminá-los. Se estes obstáculos não se deixam eliminar passivamente, dão lugar à luta. 
  • 4. A luta conduz ao proselitismo e à combinação de esforços – É natural que um núcleo de maus não somente atraia seus congêneres pela força de imantação, tão acertadamente descrita por São João Bosco, mas também é natural que, pela tendência à expansão, inerente a tudo quanto é intensamente vivo, assim como pela necessidade de recrutar soldados para a luta, procure aumentar o número de seus adeptos. A conjugação de esforços resulta de um imperativo natural, que não requer nenhuma explicação. 
  • 5. Da permanência de tais esforços articulados resulta uma organização – Também isto é óbvio. Elementos ligados entre si permanentemente, por afinidade profunda de mentalidades, identidade de objetivos e íntima conexão de esforços, não tardarão em elaborar um sistema ideológico, um programa e uma técnica de ação comuns, e em constituir um órgão diretivo. Nesse momento estará traçado o itinerário, que vai do simples fato da existência de alguns “maus”, que se intuem reciprocamente e se põem em contato, até à formação de uma associação. Oculta como a maçonaria, semi-oculta como o jansenismo ou o modernismo, declarada como o luteranismo ou o comunismo, esta associação se propõe ao combate em todos os terrenos – ideológico, artístico, político, social, econômico, etc. – para a conquista de seus objetivos. Numa palavra, faz revolução. 

O ódio ao bem

A causa motriz de toda esta sucessão de fenômenos é o ódio ao bem, engendrado pela perversão quando esta atinge certo nível de profundidade.

Insisto em tal asserção. E sei que, quando a perversão alcança tal nível de profundidade, desperta essa misteriosa capacidade de detectação e atração mútuas, que São João Bosco descreve, e que constitui o ponto de partida inicial de toda revolução organizada. Grande número de pessoas simpatiza com os bons; se cometem algum pecado, fazem-no com vergonha e tristeza. De gente assim, enquanto moralmente não caia muito, não há de se receiar uma conjuração. Noutros a perversão chega a atacar profundamente a humildade, até o ponto de ocasionar uma cínica indiferença ante o pecado, e até uma rebelião contra os bons e o bem.

Não se diga que o ser racional é incapaz de odiar o bem. Convém recordar aqui os “distingos” que o assunto comporta. Recordemos de passagem que, se isto fosse pura e simplesmente assim, os anjos maus não teriam odiado a Deus, que é o Sumo Bem. Além disso, tal aversão pode consistir simplesmente numa antipatia. Pode esta, pois, engendrar incompreensões, fricções, incidentes, sem por isso dar origem a uma conjuração ou a uma luta, mas casos há que demonstram um estado de espírito muito mais agressivo. Em tal sentido, o ódio de Caim contra Abel parece-me característico. Mais ainda o do Sinédrio contra Nosso Senhor.

Passando deste fato excelso para um fato contemporâneo, lembro-me de uma notícia que li recentemente. Nos Estados Unidos um grupo de play-girls agrediu uma jovem colega, reduzindo-a a um estado físico deplorável. Interrogadas pela polícia, as delinqüentes declararam que não tinham nenhuma queixa pessoal contra a vítima. A única razão de sua atitude agressiva foi que aquela colega era tão exemplar em seus estudos, em seu comportamento e em sua indumentária, que o mero fato de sua existência tornava-se insuportável para as agressoras. Se imaginarmos tal estado de ânimo, não em fúrias sem inteligência nem serenidade, mas em pessoas equilibradas, ponderadas e tenazes, teremos deixado a descoberto aquilo que origina uma pujante e perigosa associação, que poderá ocasionar o fim de uma era histórica.

Quase todas estas considerações são bastante conhecidas, pelo menos quando analisadas individualmente. Mas, em geral, elas se apresentam ao espírito confusas e isoladas. Postas a nu e reunidas dentro de um corpo de doutrinas e observações, sob a forma de rasgos correntes e unidos, entrevemos algo de novo. Demonstrarei, em poucas palavras, no que consiste este algo. 

A simpatia e conivência dos moderados 

Pelo que vimos até agora, dois aspectos do mal foram postos em evidência. Um engendra a Revolução; e o outro, diante da presença do fenômeno Revolução, a que atitude induz?

Pelo mesmo princípio de atração do mal pelo mal (simile simili gaudet), que é a explicação profunda do fenômeno tão agudamente observado por São João Bosco, se depreende que o mal mais sutil fica atraído, hipnotizado e dominado pelo mais intenso. Assim se explica que as correntes moderadas da Revolução nunca lutam séria e duradouramente contra as correntes extremas. Os girondinos no século XVIII, os partidários da monarquia parlamentar inglesa no século XIX, os partidários de Kerensky no século XX, situados frente à Revolução, acabaram cedendo sempre, ainda quando lutaram com as armas na mão contra ela e a venceram temporariamente. Assim, a burguesia francesa venceu a comuna de Paris, e, segundo as aparências, opôs um dique à Revolução. Mas, assumindo o poder, essa mesma burguesia favoreceu o desenvolvimento do processo revolucionário. Mais ainda. Postos ante a Revolução e a Contra-Revolução, os revolucionários moderados flutuam, em geral tratando de pleitear conciliações absurdas. Mas, por fim, favorecem sistematicamente a primeira contra a segunda.

Como se explica isto, quando tantas vezes os mais altos e mais patentes interesses econômicos, as distinções mais honrosas, a formação tradicional mais profunda, os motivos de parentesco e amizade mais imediatos e ternos, deveriam induzir os “moderados” a aliar-se com a Contra-Revolução? Quantos foram, nas fileiras dos “moderados”, os homens de talento que dispuseram de todos os recursos intelectuais para ver que suas perpétuas capitulações os iam arrastando ao abismo, e com eles toda sua descendência, e não obstante foram cedendo sistematicamente, como se esse mesmo abismo fatalmente os fascinasse?

Responder a esta pergunta é explicar a causa mais essencial das vitórias sistemáticas dos extremistas, nos processos revolucionários, pois estes foram sempre, ou quase sempre, pouco numerosos, pouco brilhantes ou de parcos recursos financeiros. Suas vitórias, na maior parte dos casos, foram devidas à timidez, à cegueira, à fraqueza e à resignação dos “moderados”, geralmente ricos, influentes, numerosos e, invariavelmente, à disposição deles, preferindo tudo a apoiar seriamente as hostes da Contra-Revolução, em geral também pouco numerosas, pobres, etc.

Sem dúvida alguma, a inércia e o medo são características das classes ricas, e explicam em parte este fenômeno. Para nós, porém, não explicam tudo. Pois, de um lado, nem todas as classes ricas são vacilantes e medrosas. Por exemplo, não adoeceu deste defeito a nobreza européia na época das Cruzadas e da Reconquista. São pois as elites decadentes que adoecem deste mal. 

Antipatia em relação à Contra-Revolução 

Mas o medo das elites decadentes não explica tudo. É notório que, se de um lado revelam ter medo do extremismo revolucionário, de outro emitem idéias passageiras e involuntárias de simpatia em relação ao citado extremismo. Por outro lado, em relação ao radicalismo [no sentido etimológico da palavra, ou seja, que possui raízes] contra-revolucionário não manifestam medo, mas sim uma antipatia sistemática e mal velada. Além disso, esta simpatia e antipatia, tão estáveis e impulsivas, têm que desempenhar forçosamente um papel, que seria um erro subestimar ao se levar em conta a atitude dos revolucionários “moderados”.

Isto posto, como se explica essa simpatia? A que obedece? Os “moderados”, aparentemente tão apegados ao dinheiro, à saúde e aos prazeres do espírito revolucionário, somente temem alguns poucos contágios. Será que eles, neste caso, são idealistas abnegados (no mau sentido da palavra, é claro)? As aparências diriam que não. Mas os fatos, bem observados, demonstram que de certo modo o são, e que esse “idealismo” desempenha um profundo papel na sua psicologia e nas suas atitudes. De que modo?

O espírito revolucionário constitui uma grave deformação doutrinária e moral. E isto apesar de coexistir, em muitos casos, com costumes incontaminados e uma indiscutível probidade nos negócios. São Pio X, na Encíclica “Pascendi”, fez notar este ponto no que se refere ao modernistas. Quem tem este espírito, ainda que seja por participação, incorpora-se à misteriosa dinâmica do mal, descrita por São João Bosco. O espírito revolucionário, em sua forma moderada, se não suscita aquela capacidade de mútuo conhecimento e de articulação dinâmica, produz um fenômeno análogo, mas mais fraco. Este fenômeno é uma antipatia profunda, ainda que discreta e sutil, contra tudo aquilo que se opõe à Revolução.

Tal antipatia tem de particular o fato de que quase nunca se engana, e que qualquer manifestação do espírito contra-revolucionário, ainda que sutil e velada, é por ela discernida, rechaçada e até hostilizada. É por isto que, sem chegar a tomar a iniciativa de sacrificar seus interesses em prol da Revolução, aceita sem protestos este sacrifício e talvez se console com ele, pelo simples fato de que sua profunda antipatia para com a Contra-Revolução fica satisfeita com os progressos da Revolução.

O fato é espantoso. E seria até para não se acreditar, se não fosse patente no mundo inteiro. Quantas estirpes aristocráticas ou burguesas há, destruídas e expulsas pela Revolução, que renunciam a qualquer luta e vivem resignadas, quase alegres, numa situação obscura e quase proletária, perfeitamente integradas no mundo revolucionário do qual são vítimas. Escrevendo isto, penso em numerosos exilados russos, e mais particularmente em tantos clérigos cismáticos, que não se preocupam com outra coisa que não seja algum acordo com o comunismo. Desalento? Em parte, sim. Mas desalento sem rancor, quase alegre, no qual se vê claramente o sorriso de uma secreta simpatia, talvez até subconsciente. De onde se vê bem que não é o interesse que dirige a História, e que esta não é primordialmente um conflito de interesses, mas de princípios, uma luta entre a Verdade e o erro, entre o Bem e o mal, entre a Luz e as trevas. 

O papel do demônio 

Qual é o papel do demônio nesta luta? Ou, ao menos, qual sua ação no fenômeno descrito por São João Bosco?

No texto citado o Santo admite claramente, como plausível, a ação preternatural. De nossa parte, estamos persuadidos de que esta é imensa. Mas este aspecto do problema não faz parte do tema deste artigo, no qual quisemos esboçar brevemente os contornos psicológicos de ordem natural, que operam por si próprios, mas sobre os quais o demônio pode ter influência, atuar com freqüência e com terrível eficácia, para fazer dos homens instrumentos e vítimas da Revolução, da qual ele foi o primeiro fautor e continua sendo o fator principal.

(Plinio Corrêa de Oliveira, “Cruzado Español”, Barcelona, 55-56, 1960)

Paulo de Tarso

Alguém que, como o Apóstolo, examina tudo e fica com o que é bom (Cf.I Ts, 5,21).
  • Rubens

    Senhor Doutor Plinio, rogai por nós!

  • Leopoldo José R R Rezende

    Parece que Dr. Plinio tá descrevendo aquele Argentino que publicou criminosamente o vídeo de Exorcismo, e a sua turma Hard.

  • Pedro Morato

    Imaginemos como no mundo pagão tudo era muito caótico. Jesus, como Deus, funda sua Igreja e tem a divina ideia de transformá-la em uma Igreja internacional, presente em todos os países. E tudo ordenando segundo seu santo magistério e gerando o que chamamos Cristandade. A Civilização Cristã.
    Do outro lado, os adversários de Cristo, percebem a grandeza da sua obra e confabulam entre si: se ele tem uma igreja dourada internacional, vamos criar uma internacional negra para lhe opor resistência. E vamos reunir sob nossa batuta, todos os que quiserem lutar conosco. Agiremos nas trevas, tramaremos nos nossos antros e teremos nosso líder máximo que organizará nossa sociedade de modo secreto, para durar séculos se preciso for… Iremos formando sempre um Líder que será outro alter ego de cada Líder, continuamente.
    E criaremos uma trama secreta que será “a conspiração negra anticristã” por excelência. Ela será:

    UNIVERSAL: não haverá povo que não esteja atingido por ela, em grau maior ou menor.
    UNA: atingiremos a Cristandade ocidental num só todo, com numerosas crises locais que por séculos irão se interpenetrando e se entreajudando ininterruptamente. A Civilização dourada entrará em agonia, sob a ação do negrume que criaremos.
    TOTAL: essa crise se desenvolverá numa zona de problemas tão profunda, que ela se prolongará ou se desdobrará em todas as potências da alma, em todos os campos da cultura, em todos os domínios, enfim, da ação do homem.
    DOMINANTE: criaremos resultantes, profundamente coerentes e vigorosas, da conjunção de muitas forças desvairadas, e que darão origem a uma revolução diametralmente oposta à civilização cristã.
    PROCESSIVA Essa crise não será um fato espetacular e isolado. Ela constituirá, pelo contrário, um processo secular. Um longo sistema de causas e efeitos malignos que, tendo nascido com grande intensidade nas zonas mais profundas da alma e da cultura do homem ocidental, irá produzindo sucessivas convulsões.

    A este processo bem se poderão aplicar as palavras de Pio XII a respeito de um sutil e misterioso “inimigo” da Igreja: “ELE SE ENCONTRA EM TODO LUGAR E NO MEIO DE TODOS: SABE SER VIOLENTO E ASTUTO. NESTES ÚLTIMOS SÉCULOS TENTOU REALIZAR A DESAGREGAÇÃO INTELECTUAL, MORAL, SOCIAL, DA UNIDADE NO ORGANISMO MISTERIOSO DE CRISTO. ELE QUIS A NATUREZA SEM A GRAÇA, A RAZÃO SEM A FÉ; A LIBERDADE SEM A AUTORIDADE; ÀS VEZES A AUTORIDADE SEM A LIBERDADE. É UM “INIMIGO” QUE SE TORNOU CADA VEZ MAIS CONCRETO, COM UMA AUSÊNCIA DE ESCRÚPULOS QUE AINDA SURPREENDE: CRISTO SIM, A IGREJA NÃO! DEPOIS: DEUS SIM, CRISTO NÃO! FINALMENTE O GRITO ÍMPIO: DEUS ESTÁ MORTO; E, ATÉ, DEUS JAMAIS EXISTIU. E EIS, AGORA, A TENTATIVA DE EDIFICAR A ESTRUTURA DO MUNDO SOBRE BASES QUE NÃO HESITAMOS EM INDICAR COMO 5 PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS PELA AMEAÇA QUE PESA SOBRE A HUMANIDADE: UMA ECONOMIA SEM DEUS, UM DIREITO SEM DEUS, UMA POLÍTICA SEM DEUS” [Adaptado – Plinio Corrêa de Oliveira – Livro Revolução e Contra-Revolução]

  • Pedro Morato

    Entre essas forças da Revolução, cumpre não omitir os católicos que professam a doutrina da Igreja mas estão dominados pelo espírito revolucionário. Mil vezes mais perigosos que os inimigos declarados, combatem a Cidade Santa dentro de seus próprios muros, e bem merecem o que deles disse Pio IX:
    “EMBORA OS FILHOS DO SÉCULO SEJAM MAIS HÁBEIS QUE OS FILHOS DA LUZ, SEUS ARDIS E SUAS VIOLÊNCIAS TERIAM, SEM DÚVIDA, MENOR ÊXITO SE UM GRANDE NÚMERO, ENTRE AQUELES QUE SE INTITULAM CATÓLICOS, NÃO LHES ESTENDESSE MÃO AMIGA. SIM, INFELIZMENTE, HÁ OS QUE PARECEM QUERER CAMINHAR DE ACORDO COM NOSSOS INIMIGOS, E SE ESFORÇAM POR ESTABELECER UMA ALIANÇA ENTRE A LUZ E AS TREVAS, UM ACORDO ENTRE A JUSTIÇA E A INIQÜIDADE POR MEIO DESSAS DOUTRINAS QUE SE CHAMAM CATÓLICOLIBERAIS, AS QUAIS, APOIANDO-SE SOBRE OS MAIS PERNICIOSOS PRINCÍPIOS, ADULAM O PODER CIVIL QUANDO ELE INVADE AS COISAS ESPIRITUAIS, E IMPULSIONAM AS ALMAS AO RESPEITO, OU AO MENOS À TOLERÂNCIA DAS LEIS MAIS INÍQUAS. COMO SE ABSOLUTAMENTE NÃO ESTIVESSE ESCRITO QUE NINGUÉM PODE SERVIR A DOIS SENHORES. SÃO ELES MUITO MAIS PERIGOSOS CERTAMENTE E MAIS FUNESTOS DO QUE OS INIMIGOS DECLARADOS, NÃO SÓ PORQUE LHES SECUNDAM OS ESFORÇOS, TALVEZ SEM O PERCEBEREM, COMO TAMBÉM PORQUE, MANTENDO-SE NO EXTREMO LIMITE DAS OPINIÕES CONDENADAS, TOMAM UMA APARÊNCIA DE INTEGRIDADE E DE DOUTRINA IRREPREENSÍVEL, ALICIANDO OS IMPRUDENTES AMIGOS DE CONCILIAÇÕES E ENGANANDO AS PESSOAS HONESTAS, QUE SE REVOLTARIAM CONTRA UM ERRO DECLARADO. POR ISSO, ELES DIVIDEM OS ESPÍRITOS, RASGAM A UNIDADE E ENFRAQUECEM AS FORÇAS QUE SERIA NECESSÁRIO REUNIR CONTRA O INIMIGO” [Revolução e Contra-Revolução – pág.14]

  • Joana d’Arc

    Que fisionomia, a do Senhor Doutor Plinio, estampada na foto que inicia o artigo! Admirável! Que integridade! Que retidão! Que fisionomia do verdadeiro varão todo Católico Apostólico e Romano! Singular!

  • Francis JS

    Texto mui interessante! Bravo!
    Apenas uma leve correção, a inferência “diametralmente oposto” não existe…
    Em verdade, se é diametral, É oposto!!! E se é oposto É diametral!

    • Lev Orlov

      Nada como uma redundância enfática.

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