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Santuário São Judas Tadeu tem primeira Pastoral da Diversidade Sexual de BH

Iniciativa faz parte da nova postura do papa e da revisão da Igreja sobre configurações da família. A despeito da resistência inicial, comunidade cresce e arrebanha fiéis afastados

EM.COM.BR

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Quando ouviu de um padre, durante a missa, que homossexualidade era condenada por Deus e que “gente assim” não deveria frequentar a igreja, a professora Isabella T., de 29 anos, jamais imaginaria que, anos mais tarde, não só poderia voltar a se declarar católica praticante, como teria um espaço específico para acolher fiéis na mesma situação. Casada com outra mulher, ela integra a Pastoral da Diversidade Sexual do Santuário São Judas Tadeu, em Belo Horizonte, primeira a ser registrada oficialmente na arquidiocese da capital com o foco em acolhimento de gays, lésbicas, transexuais, transgêneros e suas famílias como parte da comunidade da Igreja Católica.O grupo funciona como qualquer outra pastoral de igreja, como a da Família, dos Casais ou dos Jovens. Eles se encontram a cada 15 dias na sala multimídia da paróquia, debatem temas relativos a família e acolhimento, rezam e têm inclusive uma missa para organizar, no terceiro domingo de cada mês. Tudo é acompanhado pelo padre Marcus Aurélio Mareano e pela irmã Maria do Socorro, designados como assessores da pastoral.

As reuniões para criar de fato a comunidade da diversidade dentro da São Judas Tadeu começaram em agosto do ano passado, com apenas quatro pessoas. Hoje, segundo a igreja, já são mais de 70 frequentares. Depois da 5ª Assembleia do Povo de Deus, que refletiu a realidade concreta das famílias e afirmou a perspectiva de acolhida das suas diversas configurações, o padre Marcus propôs a criação da pastoral, que foi de imediato abraçada pelo reitor do santuário, padre Aureo Nogueira de Freitas. É ele quem afirma: “É hoje uma das mais vivas”.

O objetivo do grupo, segundo o padre Áureo, é acabar com qualquer preconceito dentro da Igreja. Vale lembrar que durante muito tempo as mães solteiras e os casais de segunda união também eram apontados como diferentes na Igreja Católica, sendo proibidos até mesmo de comungar. Os tempos e os costumes mudaram, e a abertura para os gays começou com uma entrevista do papa Francisco, em 2013, quando em um avião declarou: “Se uma pessoa é gay, busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”. Já no ano passado, o sumo pontífice disse que a Igreja deveria pedir perdão aos homossexuais pela forma com que os tratou no passado. “Eles devem ser respeitados, acompanhados pastoralmente”, pregou.

OPOSIÇÃO Assim como a nova postura do papa, a Pastoral da Diversidade Sexual causou reações na Igreja. Chegou a constar como “denúncia” em um site internacional católico. Apesar disso, os resultados do grupo são sensíveis.“Tenho visto famílias voltando para a Igreja, se reconciliando, e para ver o fruto desse trabalho vale a pena toda crítica e todo desentendimento”, avalia padre Aureo.

O reitor diz que a convicção da importância de um grupo como esse veio dos 23 anos de experiência como padre. “Acompanhei na confissão e nos atendimentos muito sofrimento por parte de famílias ou pessoas que são assim, e isso me incomoda muito, porque acho desnecessário o que se impõe sobre essas pessoas. Em vez de se libertar para o amor, elas oprimem. Quantas vezes vi gente querer se suicidar por causa disso, vi pais que não aceitam filhos… Desconhecer essa realidade é muito desumano”, relata. Por pressão social e religiosa, segundo o reitor da igreja, muitos casais que não deveriam ter se casado assumiram um matrimônio e outros tantos vivem na clandestinidade.

Não é o caso de Isabella, que prefere não dizer o nome da esposa porque, ao contrário do que vive hoje na igreja, a parceira ainda está sujeita ao preconceito em ambientes como o de trabalho. As duas se casaram em uma cerimônia espiritualista em 2014, fora da Igreja. Ela chegou à pastoral a convite de uma amiga e acabou levando a mãe junto. “A pastoral trouxe um empoderamento tanto para mim, dentro da Igreja, quanto para minha mãe. Vejo que a conversa com outros pais ajuda, até para ela contar nossa história, porque ela sabe que está ajudando outras pessoas”, diz.
O começo não foi fácil. Nem para Isabella nem para a mãe, a aposentada Janimar Magalhães. Aos 18 anos a filha descobriu sua preferência pelo mesmo sexo e contou para a mãe. A relação das duas ficou abalada. “Passei oito anos chorando sozinha todos os dias. Na época não tinha esse respaldo da igreja, o que causou muito sofrimento, porque lá tinha ainda mais medo de falar”, diz. No caminho para o entendimento, ela chegou a mandar a filha para uma psicóloga, na tentativa de ajudá-la a se compreender e amenizar o sofrimento. “Não dava conta de encarar e minha intenção era que o terapeuta desse esse apoio que eu não estava dando”, diz.

Passada a fase do preconceito, Isabella voltou a ser motivo de orgulho para a mãe. “É uma pessoa generosa, carinhosa, muito íntegra e ética. Se tivesse que ter outra Isabella, gostaria que fosse exatamente igual.” Janimar considera o trabalho na Pastoral da Diversidade Sexual fantástico e inovador. “Se eu tivesse esse acolhimento na época, não teria sofrido tanto”, diz. O conflito íntimo era tamanho, conta a mãe, que ela deixou de colocar um crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora no altar do casamento da filha, por medo de “blasfemar contra a Igreja”. Isso ocorreu três anos antes de ela entrar para a pastoral da São Judas. “Não sei se hoje eu teria permissão para colocar a imagem, mas sei que se tivesse de convidar um padre, pelo menos para assistir, tenho certeza de que ele iria e me sentiria acolhida”, comemora Janimar.

“Tenho visto famílias voltando para a Igreja, e para ver o fruto desse trabalho vale a pena toda crítica e desentendimento”

Aureo Nogueira de Freitas, padre e reitor do santuário

Leitor Contra-Revolucionário

Arauto do Evangelho e admirador de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira. Leitor de notícias do que outrora chamávamos Igreja...

Últimos posts por Leitor Contra-Revolucionário (exibir todos)

  • Leo

    Imagina quantas pessoas vão achar que o homossexualismo não é pecado, por causa dessa pastoral…
    E a culpa maior é do Arcebispo que permite esse tipo de pastoral…
    Porque a Congregação dos bispos não investiga e manda corrigir esse escândalo?

    • Jackie Calheiros

      A falta de informação chegou a um nível tal que se acata à opinião do Papa como ” verdade da igreja “, tudo o que ele vira lei, e o resultado é essa bagunça, essa confusão, dai pergunto porque não se esclare esta situação colocando o pinto nos I’s? DEUS ama o pecador, odeia o pecado.
      Esta ação não é blasfêmia dento da igreja e alimentada pela igreja????

  • Luiz Morato

    Na Bíblia há várias passagens que mostram como Deus abomina esse tipo de pecado,sendo a principal a que narra a destruição de Sodoma e Gomorra.

  • LEAO DA PAZ

    Esse lixo não é Igreja Católica. E justamente por isso não são repreendidos pela atual estrutura de poder dentro da Igreja. Como se pode observar na História Sagrada, nas épocas que precederam os grandes castigos, os infiéis eram a maioria e detinham o poder junto ao povo escolhido. E sempre Deus interveio em favor de uma minoria realmente muito pequena (dilúvio, Sodoma e Gomorra, Elias etc.). Hoje não será diferente: o pequeno resto voltará! E a grande maioria dos infiéis será banida da face da terra.

  • Hugues

    Não é de se estranhar que tenha surgido justamente em Belo Horizonte, onde estima-se que mais de 50% do clero seja composto de baitolas. Sei até de uma paróquia específica onde o padre mora com um ‘companheiro’ na casa paroquial…

  • Ipsa Conteret

    Agora pergunto…. Porque bergólio não manda uma comitiva a estas paróquias? Porque não investigam isso?
    Tenho um amigo que frequentou o seminário diocesano de São Paulo, fez todos os estudos direitinho e quando chegou próximo a sua ordenação diaconal ele recebeu a seguinte pergunta do REITOR do seminário.
    “Então fulano, ja esta quase na sua hora e vc ainda não decidiu o que vai ser… aqui todos são irmãos fraternos uns dos outros…somos gays e falta vc aderir caso contrario não tem ordenação”….
    Lógico que o coitado que passou anos ali, não aceitou e foi embora.
    Lembremos que o grande cabeça eclesiástica de São Paulo… Será que ele não vê isso? será que não sabem?

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